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Presença

27 27UTC janeiro 27UTC 2012
Acordou de madrugada e a preguiça não permitiu que abrisse os olhos.

Esfregou o rosto, coçou as pálpebras e virou para o outro lado para voltar a dormir, quando suas mãos apalparam o vazio ainda morno, do outro lado da cama. Então abriu os olhos.

O lençol branco e revolto ainda guardava o calor do corpo que esteve ali deitado nos últimos minutos. A cabeça, que repousava naquele travesseiro, havia esquecido alguns fios lisos e louros.

Houve um ruído de água no banheiro, então ele sorriu levemente, feliz por tê-la ao seu lado.
Era bom acordar de madrugada, com a cama vazia, e saber que ela estaria de volta em poucos minutos, usando uma camisa sua para esconder o corpo nu.

Traria do banheiro o seu perfume de baunilha, as mãos geladas por terem sido lavadas. Ou então o calor do chuveiro na pele macia e coberta de penugem fina.

Quis que o banho acabasse logo, para que ela voltasse e o envolvesse com os braços delicados. Provavelmente sussurraria desculpas em seu ouvido, por tê-lo acordado. De certa forma ele gostava dessa ausência que logo seria preenchida pelo brilho que ela trazia para sua vida.

O sono o fez cochilar mais uma vez e ele sonhou com ela. Lembrou-se do seu beijo cuidadoso e terno. Os lábios largos, sempre estendidos em um sorriso grande. O jeito de segurar seu rosto com as duas mãos, enquanto o beijava, ou deslizar a mão para a sua nuca para acariciar-lhe os cabelos.

Acordou com um sobressalto, quando ouviu o boxe do chuveiro sendo aberto. Estava excitado somente pela expectativa de abraçá-la contra o seu corpo e senti-la ressonando, até que a respiração ficasse leve pelo sono. Normalmente o cabelo dela lhe fazia cócegas no nariz, e ele precisava de muito controle para se mover bem devagar e não acordá-la.

Foi na hora em que a porta do banheiro se abriu, e em vez dela vestindo sua camisa, surgiu uma garota loura envolvida na toalha, que ele recordou que seus cabelos, na verdade, eram castanhos.

Enquanto a garota dirigia-lhe um sorriso e caçava as próprias roupas, pela penumbra do quarto, ele se lembrou que não fora com sua amada que passara as últimas horas e sim com a desconhecida que encontrara em um bar qualquer.

Fechou os olhos e suspirou profundamente, mas não foi o perfume habitual que invadiu-lhe as narinas, e sim um aroma cítrico desconhecido.

A garota loura, já vestida, pegou as chaves do carro no criado-mudo, vestiu o relógio, calçou os sapatos e se despediu com um beijo na testa. Ele lhe disse que não precisava trancar a porta do apartamento.

Foi embora deixando-o sozinho com o vazio na cama e o silêncio do quarto, que juntos, pareciam uma terceira pessoa, de tão grandes.

Não. Ela nunca mais voltaria.

A esperta

13 13UTC janeiro 13UTC 2012
Embora filha única até os dez anos, sempre quis ser motivo de orgulho para os meus pais.Descartando qualquer possibilidade de ser a filha mais bonita, ou a atleta, cheguei à conclusão de que teria de ser a mais inteligente. O que não quer dizer, necessariamente, a mais esperta.

Explico.

No alto dos meus sete, oito anos de idade, estava eu singelamente brincando em meu cantinho da bagunça, estrategicamente posicionado pela minha mãe do lado de fora da casa, mais especificamente ao lado da lavanderia.

Acredito que, naquele dia em específico, estivesse brincando de escolinha. Eu era a professora, óbvio, já que meus alunos eram minhas bonecas e meus ursinhos de pelúcia. Leia mais…

A ceia

30 30UTC dezembro 30UTC 2011
Ao conferir a despensa, enumerando os ingredientes e mantimentos que seriam necessários para a ceia de natal, notou a falta de dois itens essenciais: nozes e creme de leite. Resolveu fazer uma revista pela fruteira e armário dos doces, reabastecendo o estoque para a família que viria no final de semana.Estava muito calor, lá fora. Então se vestiu com a regata e a calça mais confortáveis que encontrou, prendeu o cabelo em um coque na nuca e conferiu se os óculos escuros estavam na bolsa. Notou que as chaves do carro sumiram, então correu todos os cômodos até encontrá-las no banheiro, rindo sozinha sem conseguir se lembrar de como foram parar lá.

Pegou as chaves, a bolsa, o celular e a carteira. Entrou no carro e dirigiu para o supermercado mais próximo. Leia mais…

Marcas de Guerra

23 23UTC dezembro 23UTC 2011
Queridos, a vida nada mais é do que o conjunto de histórias que você contará aos seus netos.Muitos contarão orgulhosos sobre o dia em que, dirigindo escondido a Harley-Davidson do pai aos doze anos, foram fugir da polícia e,em uma derrapagem brusca, acabaram ganhando aquela cicatriz na panturrilha. Estas marcas de guerra servem para nos mostrar fortes, intrépidos e aventureiros aos nossos descendentes. E gostaremos de relembrar, com os olhos perdidos de nostalgia, as pequenas aventuras que nos deixaram literalmente marcados.Eu tenho uma cicatriz dessas. Não na panturrilha. Na coxa. E ela realmente veio do escapamento de uma moto, que eu posso facilmente transformar em Harley-Davidson para meus netos.

O caso é que eu, como a criança pacata e totalmente adversa a atividades físicas que fui, tenho dificuldades enormes em encontrar marcas para contar histórias e, quando as tenho, as histórias não são realmente empolgantes, me obrigando a recorrer às minhas habilidades literárias para torná-las mais interessantes. Leia mais…

Aparência

16 16UTC dezembro 16UTC 2011
Estávamos eu e a amiga, sentadas no banco em frente àquela livraria grande da Augusta (sempre ela, a livraria), conversando sobre assuntos aleatórios e irrelevantes, quando ele nos abordou.Cabelos por cortar e totalmente desgrenhados em torno da careca reluzente, vários dentes a menos, roupas surradas, sandálias gastas e muitas sacolas nas mãos. Não nos pediu dinheiro. Apontou um dedo na nossa cara e disparou: “Vocês viram o que aqueles desgraçados da câmara aprovaram hoje?”

Um pouco atordoadas pela aparição brusca, arriscamos as críticas seguras: “Pois é, aquilo ali é uma merda mesmo.” E ele prosseguiu despejando informações e opiniões que me deixaram envergonhada por não estar inteirada de um assunto tão grave. Leia mais…

O coração

9 09UTC dezembro 09UTC 2011

Lembro-me muito bem da rua em que passei toda a minha infância.

Não era uma rua muito extensa e não tinha saída, então a criançada sempre brincava ao ar livre, depois do horário da escola. Devíamos ser uns dez pirralhos, entre meninos e meninas e brincávamos juntos quase todos os dias, a não ser quando alguém ficava de castigo. Normalmente, quando isso acontecia, era por alguma arte coletiva e não raro, ficávamos todos no cantinho pensando.

A maior casa da rua era para aluguel. Diversas famílias passaram por ela, no período em que vivi lá. De todas, uma teve participação em um dos episódios mais marcantes da minha vida. Leia mais…

Satisfação

25 25UTC novembro 25UTC 2011
Enquanto subiam as escadas para o primeiro andar, ela sentia o celular pressionando-lhe a nádega, de dentro do bolso traseiro. Depositou as malas que carregava em cima da cama e virou-se para ajudar o namorado, que trazia as mais pesadas. Ele sorriu agradecido e deixou um beijo leve em seus lábios. Ela sorriu de volta.Ele voltou para trancar o carro e ela se sentou nos degraus da varanda. O rapaz avisou que iria tomar um banho e ela acenou com a cabeça.Tirou o celular do bolso e ficou olhando-o por um bom tempo, mas só teve coragem de discar os primeiros números quando ouviu a porta do banheiro se trancando.Ouviu chamar uma e duas vezes. Desistiu constrangida, desligando o telefone. Já tinha se arrependido do gesto, quando o celular tocou. O mesmo número que havia discado, minutos antes, piscava insistentemente na tela. Decidiu atender no último toque antes da ligação cair na caixa postal e a voz falhou no “alô”. Leia mais…

Lançamento do livro

22 22UTC novembro 22UTC 2011

Olá, amigos queridos!

Finalmente tenho uma novidade para vocês: a data de lançamento do meu livro! AEEEEE, RITMO DE FESTA!

03 de dezembro será o grande dia e eu faço questão da presença de todos que se sentiram tocados pelo o que eu escrevi aqui, ao longo desses anos. Você que sempre leu e nunca se manifestou também, viu?

Já adiantando, é uma reedição dos contos publicados neste e no blog antigo, junto com alguns inéditos.

Nem preciso dizer que é a realização de um sonho e que eu não tinha intenções de publicar um livro tão cedo, não fosse a Navilouca Livros ter aparecido e me feito a proposta assim DO NADA.

No dia do lançamento, o livro vai estar com desconto e você ainda ganha autógrafo e beijinho da autora. ^^

Quero ver todo mundo lá e quem não puder ir, ajuda a divulgar, sim? Vejam o evento no facebook.

Beijos!

Um amor de verdade

16 16UTC novembro 16UTC 2011
Eu sempre fui a garota dos clichês.

Aquela que sempre acreditou que um clichê tem mais do que o óbvio a nos dizer. Sempre acreditei que um clichê dito é apenas isso, algo que todo mundo já sabe. Mas um clichê vivido deixa de ser apenas uma frase feita, para ganhar uma nova essência, dessa vez unido à experiência. À sua pessoal e íntima experiência.

E embora, quando escrevo, eu busque fugir dos lugares comuns tudo o que sempre quis na vida foi viver um clichê. Não canso de repetir que a felicidade está na simplicidade, na busca e não no fim. Seres humanos nunca deixam de querer. Sempre estão em busca, ambicionando, desejando. E não percebem que a felicidade é justamente esta: lutar, correr atrás, querer, trabalhar. A conquista é o êxtase, mas é passageira. Não traz felicidade. E é por isso que eu nunca quis apenas um amor, mas um parceiro de viagem. Leia mais…

IPL – Depilação com Luz Pulsada Intensa

27 27UTC outubro 27UTC 2011

Pra mim os pelos sempre foram um problema.

Pra terem uma ideia, sou descendente de portugueses e espanhóis, portanto além de ter pelos escuros e grossos, sou branca bicho-de-goiaba, o que destaca minha cobertura felpuda ainda mais.

Sofri a vida inteira de vergonha dos meus pelinhos, porque não podia depilar com lâmina ou creminho, correndo o risco deles engrossarem ainda mais, sem falar que cresce muito rápido. Então me depilei com cera roll-on desde sempre – meu presente de 12 anos foi uma sessão de depilação – o que TAMBÉM não resolveu meu problema completamente. Como sou muito branca e meus pelinhos escuros, eu só ficava sossegada por uns 10 dias, pois eles nem tinham saído da pele ainda e já dava pra ver os pontinhos pretos. (Sim, sou tão branca que sou transparente. Podem rir.) Mesmo sabendo que é um tratamento doloroso, meu sonho era fazer depilação a laser, mas estava totalmente fora do meu alcan$e. Até tratamento hormonal eu fiz, o que quase me deixou careca, mas não diminuiu meus pelos.

Foi quando minha mãe disse que conheceu um lugar que fazia depilação com Luz Pulsada Intensa (IPL), aqui em Mogi das Cruzes, e sua voz soou como coro de anjos aos meus ouvidos. Fiz uma breve pesquisa na internet pra entender como funcionava a tal tecnologia, perguntei pras seguidoras do twitter e conversei com minha ginecologista que me incentivou a experimentar. Leia mais…

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