Carta ao menino que desenhava

Ilustração de Stephen Wiltshire

Ilustração de Stephen Wiltshire

“28 de marco março de 2010

Oi, menino.

Fiquei com vontade de escrever para você.

Te vi sozinho desenhando, sob uma árvere árvore do parque onde eu estava andando de bike bicicleta. Dei umas três voltas no parque todo e você continuava lá, sentado, rabiscando. Na quarta volta eu resolvi estacionar do seu lado e quase capotei de bike em cima de você minha curiosidade venceu e eu dei um jeito de sentar sob a mesma árvore que você.

Você até olhou pra mim e riu um pouco deu um sorriso discreto, que eu correspondi enquanto encostava a bicicleta no tronco. Depois disso você voltou a se concentrar no desenho e nem viu enquanto eu tirava o meu livro da bolsa e me recostava para fingir que lia.

Sim, fingir, porque eu estava louca para ver o que você desenhava. E quando finalnent finalmente consegui achar uma posição que não te fizesse notar que eu estava pescoçando o seu desenho em vez de cuidar da minha vida, eu fui transportada para dentro do universo que havia no seu bloquinho.

Seus traços eram muito finos e leves, eu tive que forçar um pouco a vista e me aprossimar aproximar devagarzinho devagarinho para conseguir ver à uma certa distância. Mas quando vi, não era apenas um desenho. Era um mundo inteiro. Um lugar incrível, com uns bichos criaturas saídas da sua imaginação e que eu nunca teria conhecido se não fosse pelo seu desenho.

Voltei para o meu lado da árvore até um pouco assustada, tentando encontrar a ligação entre aquele pequeno sorriso, seu rosto tímido e uma mente tão poderosa, capaz de criar uma dimensão nova inteirinha.

Sabe, naquele dia eu entendi que as coisas marvilhosas maravilhosas são assustadoras. E elas não precisam ser sombrias para nos intimidar. Basta serem grandes e desconhecidas. Basta serem surpreendentes.

Eu quis conversar com você. Quis ser sua amiga e entender como funcionava alguém uma pessoa que podia imaginar tudo aquilo sozinha. Quis entender qual era a força tão grande que estava dentro de você, que se transformava em linhas finas e suaves, para derramar tudo uma história inteira em uma folha de papel.

Mas eu me senti uma intrusa no seu mundo. Entendi que tudo aquilo que você espalhava nas folhas era o amor que estava contido no seu coração. Resolvi escrever essa carta para que você saiba que não está sozinho em seu mundo. Eu adoraria dividí-lo com você.

Mas me afastei em silêncio, pois tive medo de parar interromper aquele carinho tão grande que vi nos seus olhos e te trazer de volta para esse mundo tão cheio de… realidade.

Um abraço da garota que caiu de bicicleta na sua frente.”

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