A garota da capa

comissao-formaturaPegávamos o mesmo ônibus todos os dias, ida e volta.

Ela sempre foi simpática, sempre se ofereceu para carregar minhas coisas quando eu estava em pé e nunca deixou de me cumprimentar quando passava por mim.

Eu sempre fui gentil com ela, mas não deixei de julgá-la por não cortar os cabelos completamente brancos e se vestir como prega a religião evangélica.

Até o dia em que ela se senta à minha frente e dispara a falar sobre o seu dia corrido e passagem no médico. Continuar lendo

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Coisas boas da semana

Oi, você! Como está? Eu tô bem, obrigada. =)

Essa semana estou toda trabalhada nas HQs. Mas você vai ver, cada uma delas vale muito a pena.

Não que vá mudar sua vida, ou que você tenha perguntado alguma coisa, mas achei legal falar sobre isso aqui.

Depois de passar por uma fase enorme de transição e autoconhecimento, que durou do meio do ano passado até o início desse ano, eu cheguei a conclusão de que eu estou beirando os 25 anos (velha pra caralho, pode falar) e ainda não fiz metade das coisas que gostaria de fazer.

Então quando 2013 começou, eu ainda não havia percebido, mas seria o ano em que eu faria muitas coisas pela primeira vez. E eu fui perceber isso somente semana passada, durante uma conversa com uma amiga. Eu sempre senti que para ser uma pessoa melhor de se conviver, você precisa amar ao próximo como a si mesmo e para amar ao próximo como a si mesmo, você precisa saber se colocar no lugar dos outros e para se colocar no lugar dos outros, muitas vezes é necessário fazer coisas que você nunca fez antes e ir a lugares que você nunca foi antes e experimentar coisas que nunca experimentou antes.

E, olha, tem funcionado. Ainda estou lutando contra alguns conceitos pré-concebidos e é um pouco difícil superar muitas coisas que você cresce ouvindo que eram certas e se fizesse o contrário seria punido. Mas a aventura tem sido enorme, tenho me sentido mais completa, motivada e tenho chegado em um estado pleno e tranquilo, bem parecido com aquilo que as pessoas chamam de felicidade mas juram que não existe. 😉

Eu uso esse espaço para minhas bobagens, mas no fundo, no fundo, quero que vocês comentem e compartilhem comigo se já passaram pelo mesmo que eu, ou se discordam de mim, sei lá. Adoro conversar e colecionar histórias. =)

E vocês? Quantas coisas fizeram pela primeira vez, este ano?

Beijo e brigada eu.

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Os Levados da Breca (Wesley Samp) – É como desenhar (Tirinha)

Entre Todas as Coisas (Daniel Bovolento) – Toque dele (Conto)

Mentirinhas (Fabio Coala) – Pedido (HQ)

Trivialidades da Vida (Fernanda Mota) – Amuleto (Conto)

Casa da Gabi (Gabi Bianco) – Os japoneses, o engraxate medroso e o Spa (Crônica)

Trastejando (Pablo Cezimbra) – Música: Isn’t it a pity (Crônica)

Hqrizando (Cleber Betto) – Meu vizinho SpiderMan (Tirinha)

Puny Parker (Vitor Cafaggi) – Valente (HQ – Não consegui escolher uma só para colocar aqui)

Petisco – Beladona (HQ)

Boas Novas (Diego Freire) – Ep. 13 (Vídeo)

O Nerd Escritor (Clairton) – Quatro e meia da manhã (Conto)

Uma história engraçada

Hoje tenho uma história muito engraçada para contar para vocês, a respeito de uma amiga minha.

Nos conhecemos quando nós duas ainda estávamos na oitava série (ginásio, para os mais velhos), mas só fomos ficar amigas mesmo no primeiro ano do colégio (segundo grau, para os mais velhos). Continuar lendo

O pijama

Logo cedo, expediente recém-iniciado, alguns funcionários ainda chegando e tudo o que se ouvia pelo escritório era o som das teclas sendo digitadas freneticamente.

A moça da cozinha passou com a garrafá de café, trazendo aquele cheiro maravilhoso e inebriante para o ambiente. Continuar lendo

Lar

Neusa tem olhos verdes.

Cida prefere vermelho.

João adora cães. Cuida de oito.

Marluci odeia o frio.

Antônio é poeta. Continuar lendo

Fada

Houve, certa vez, um fenômeno curioso em certa colônia de lagartas, que procuravam uma maneira de se proteger dos predadores.

Com medo de alçarem vôo, ser caçadas por pássaros e tornarem-se alvos fáceis por conta das cores de suas asas, começaram a encruar sua metamorfose e tornavam-se qualquer coisa entre um casulo e uma larva.

Com isso, a população rastejante permaneceu abrigada em seu tronco de árvore, sempre convencendo as crianças a seguirem seu exemplo e não se metamorfosearem completamente. Surpreendentemente, seu sistema reprodutor se desenvolvia e a espécie sobreviveu e cresceu, embora incompletas, reproduzindo-se entre si mesmos.

Até o dia em que um ovo foi botado virado para o céu. E quando a larva eclodiu, a primeira coisa que seus olhos turvos viram, foi a luz do sol atravessando duas folhas da copa da árvore. Continuar lendo

O cara das Mentirinhas

Uma vez, não me lembro onde, li que os artistas têm o dom de ver coisas que ninguém mais é capaz e, por isso, cabe a eles mostrar tais coisas ao mundo. As palavras não eram exatamente essas, mas a essência da ideia tá aí.

Começo com essa introdução pois um dos meus amigos tem usado de seu talento para expressar tais detalhes do mundo, de uma maneira que tem me tocado muito.

Devido à qualidade de seu trabalho, tenho certeza de que a maioria de meus leitores já o conhecem, através do site Mentirinhas, onde ele posta tirinhas feitas em sua maioria de um humor peculiar e ironia finíssima.

Porém eu venho destacar o lado mais sensível do Fabio Coala, que tem sido postado em pequenas doses no mesmo site. E em cada uma delas, tem me tocado tanto, que descobri porque esses posts vêm só de vez em quando. Continuar lendo

Aparência

Estávamos eu e a amiga, sentadas no banco em frente àquela livraria grande da Augusta (sempre ela, a livraria), conversando sobre assuntos aleatórios e irrelevantes, quando ele nos abordou.Cabelos por cortar e totalmente desgrenhados em torno da careca reluzente, vários dentes a menos, roupas surradas, sandálias gastas e muitas sacolas nas mãos. Não nos pediu dinheiro. Apontou um dedo na nossa cara e disparou: “Vocês viram o que aqueles desgraçados da câmara aprovaram hoje?”

Um pouco atordoadas pela aparição brusca, arriscamos as críticas seguras: “Pois é, aquilo ali é uma merda mesmo.” E ele prosseguiu despejando informações e opiniões que me deixaram envergonhada por não estar inteirada de um assunto tão grave. Continuar lendo

O Corpo – Final

Este post é o final do conto O Corpo. Leia as partes UM, DOIS, TRÊS e QUATRO antes de prosseguir.

Ainda ficou algum tempo apertando a garganta do cadáver, até ter certeza de que não havia mais nenhum batimento cardíaco. Soltou-a gradativamente sentindo o sangue voltar aos seus dedos, cujas juntas estiveram brancas pela força. Pousou a mão na própria garganta arfante, apavorada pelo que tinha acabado de fazer. Limpou em um gesto de raiva as lágrimas do rosto e recuou se arrastando pelo chão, até o outro canto do quarto.

De lá ficou olhando as pernas imóveis da morta e tentando assimilar o que aconteceria agora. Sentiu náuseas e correu ao banheiro, onde vomitou tudo o que comeu durante a tarde. Finalmente a respiração foi normalizando, junto ao raciocínio. Primeiro precisava ficar atenta aos sons de fora e verificar se alguém havia ouvido alguma coisa. Permaneceu em silêncio e estática por um bom tempo. Não houve nenhuma movimentação que indicasse suspeitas. Continuar lendo

O Corpo – Parte 4

Este post é continuação do conto O Corpo. Leia as partes UM, DOIS e TRÊS, antes de prosseguir.

No dia em que matou a colega de quarto, ela acordou cedo e foi caminhar pelo campus.
Era o dia perfeito para acontecer, pois era sexta-feira.

Às sextas-feiras, a garota entrava correndo logo depois da academia, jogava algumas roupas dentro da mala, tomava um banho e corria à rodoviária, para não perder o último ônibus para a cidade vizinha, onde morava o namorado. Então não a procurariam por pelo menos dois dias, até o domingo à noite, que era quando ela normalmente retornava.

Neste dia ela teria somente duas aulas de manhã, já que o professor da aula à tarde estava de licença. Então teria tempo de sobra para preparar o quarto para o ritual, antes que a companheira chegasse em seu afobamento. Continuar lendo