Coisas boas da semana

Essa semana tive um encontro com as aparências. Parece que todas as matérias, discussões, debates, provocações, elogios e protestos a respeito de aparências vieram parar na minha mão para serem lidas. (Inclusive o link do Fabio Coala, ali embaixo, que foi o último que acessei após terminar de escrever esse texto e linkar todo mundo, TAMBÉM era sobre aparências. )

A primeira delas (e a que me deixou com vontade de falar sobre isso hoje) foi aquela famosa galeria de fotos, que alguns portais femininos e outros veículos costumam publicar, com fotos de mulheres famosas sem maquiagem, com uns quilos a mais, ou uma aparência não tão perfeita quanto vemos nas revistas. Esse tipo de “informação” nos rende algumas reflexões: essas mulheres, por serem figuras públicas, estão constantemente preocupadas em aparecerem para o mundo impecavelmente produzidas. Ao menor sinal de deslize (um batom no dente, uma cara amassada depois de um longo voo) já rende um clique e garante seu lugar nesse tipo de galeria.

A pergunta que fica às mulheres que consomem esse tipo de informação (tipo eu, ouso dizer, tipo todas) é: Como você se sente em relação a isso? Você se sente feliz por perceber que não é a única que tem seus dias de briga com o espelho ou se sente cobrada de uma forma silenciosa, por essa famosa entidade invisível e poderosa chamada “sociedade”, a não cometer os mesmos erros (já que, se isso rende uma notícia, obviamente é algo muito grave de ser cometido)?

No fundo, isso parece um aviso de que mulher sem maquiagem é feia, não pode, onde já se viu? Mulher com celulite é coisa imperdoável, que horror! Gorda então?? CREMDEUSPAI, bate na madeira e corta os carboidratos A-GO-RA!

Vejo muitas amigas minhas que são gordas, dizendo que ninguém quer ser gordo e, os gordos que dizem serem felizes assim estão obviamente sendo hipócritas pois se pudessem dormir gordos e acordarem magros, fariam isso sem pestanejar. E eu concordo (com a vontade de emagrecer, não com a parte de serem hipócritas). Mas excluindo completamente a questão saúde, porque estamos falando de aparência e todo mundo sabe que o saudável nem sempre tem a ver com aparência dentro dos padrões, será que essas pessoas gordas que adorariam ser magrinhas iam adorar tanto ser magrinhas assim se aquela cobrança silenciosa da entidade invisível não existisse?

Esse tipo de pensamento (“é claro que eu seria diferente se pudesse”) me foi confiado incontáveis vezes também por meus amigos homossexuais. E isso não quer dizer que ser gordo ou homossexual seja ruim, ou que esse seja um pensamento hipócrita. Quer dizer apenas que a entidade invisível menospreza essas pessoas. Quer dizer que eu e você menosprezamos as pessoas pelas aparências, quando protegemos a bolsa na frente do corpo quando um negro para do nosso lado, quando afastamos os nossos filhos de um casal gay, quando dizemos que a culpa de uma criança ter sido estuprada pelo padastro foi da mãe dela que não segurou a periquita e levou um estranho para dentro de casa porque precisava dar.

E eu estou dizendo isso. Porque sou branca, com nível superior completo e naturalmente magra. Mas me frusto cada vez que preciso comprar roupas e elas ficam largas porque não tenho seios o suficiente, ou preciso fazer barra porque não sou alta o suficiente. E volto para casa olhando para trás para ver se estou sendo seguida, evitando lugares escuros e com cara fechada, pois tenho medo de ser estuprada cada vez que ouço alguém assoviando ou fazendo “psiu” para mim na rua.

Às vezes nossas atitudes preconceituosas não são culpa nossa. São culpa do que aprendemos com a entidade invisível como correto. Mas manter-se cego a esses preconceitos, culpar as vítimas (sejam elas negras, mulheres, gordas, homossexuais ou qualquer coisa diferente de você) e chamá-las de hipócritas por estarem tentando aceitar-se como são é culpa nossa sim. Eu me esforço todos os dias para não ser uma tristeza no dia de alguém.

Brigada eu.

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Casa da Gabi (Gabi Bianco) – Tenência (crônica)

Bichinhos de Jardim (Clara Gomes) – Dia especial (tirinha)

Trivialidades da Vida (Fernanda Mota) – Classificação (conto)

Xico Sá – O inadiável choro público das mulheres (crônica)

Boas Novas (Diego Freire) – Boas novas (vídeo)

Entre Todas as Coisas (Daniel Bovolento) – As coisas que ela não diz (crônica)

A Vaca Voadora (Fefê Torquato) – Davi, o bloco (HQ)

Proféticos (Rafael Marçal) – Zinza e a teoria (tirinha)

Os Levados da Breca (Wesley Samp) – Viagem ao centro do cérebro (tirinha)

Mentirinhas (Fabio Coala) – Aparências (HQ)

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Para ver mais das coisas incríveis que o Wesley Samp faz, clique na imagem!

Coisas boas da semana

Essa semana me dei conta que sou cheia das superstições.

Por exemplo: toda vez que eu fico nervosa ou ansiosa, começo a ter tique no olho. Não chego a ficar com síndrome da árvore de natal, mas fico sentindo o nervinho das pálpebras darem um pulinho de vez em quando. O que acontece é que quando eu era criança minha mãe me contou que a minha bisavó dizia que se desse tique no olho direito, era coisa boa que ia acontecer e se fosse no esquerdo, era coisa ruim. E coincidentemente eu comecei a notar esse padrão na minha vida: olho direito pulando, coisa boa. Olho esquerdo coisa ruim. E nem adianta vir tentar me convencer de que é tudo uma grande coincidência porque eu estou convencida de que as coisas boas e ruins do meu dia-a-dia são determinadas pelos meus tiques.

Outra superstição é coceirinha na palma da mão. Certeza que você já ouviu alguém dizendo por aí que coceirinha na palma da mão é dinheiro que você vai ganhar. E funciona, cara! Juro! Mas só se for na mão esquerda, porque a mão esquerda é a que recebe energia. Se eu sinto coceira na palma da mão direita, a mão que emite energia, certeza que é dinheiro indo embora.

E a última e mais macabra, é quando eu sonho que perdi um dente. Minha bisavó (não a dos tiques, outra.) dizia que sonhar com o dente caindo era morte na família. E tenho um certo arrepio ao lembrar que sim, alguns sonhos em que perdi um ou mais dentes, coincidiram com mortes entre meus parentes, mas também coincidiram com perdas grandes que me afetaram muito. Claro que já vieram me dizer que na verdade meu subconsciente sabia que teria essas perdas, por conta de captar sinais que me passaram despercebidos e o sonho é só uma consequência disso, mas eu continuo acreditando que se eu sonhar com dente caído alguém morre.

É claro que esses são os tipos de superstições que levariam alguns diagnósticos psquiátricos, tipo TOC ou paranóia (brincadeira, gente. Eu sei que esses distúrbios são sérios e dificultam muito a vida das pessoas.) ou pelo menos representam alguma tendência nesse sentido. Mas quem sou eu para questionar os sinais que o universo me manda?

Brigada eu.

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Portal do Homem (Alex Castro) – Gentileza em Copacabana (crônica)

Mentirinhas (Fabio Coala) – Tirinha #494 (tirinha)

Entre Todas as Coisas (Daniel Bovolento) – Se eu não tivesse você (crônica)

Bichinhos de Jardim (Clara Gomes) – Nada (tirinha)

Trivialidades da Vida (Fernanda Mota) – Engano (conto)

Biscoitices (Re Biscoito) – A esperança veio de Cusco, no Peru (crônica)

Torradas Tostadas (Nina Rocha) –  Amargo  (conto)

Ryotiras (Ryot) – Translucidez (HQ)

Café com Nata (Nata Castro) – Por onde o mundo gira (ensaio fotográfico)

A Vaca Voadora (Bianca Pinheiro) – Luís olhava pro chão (HQ)

Escrevinhador – Poesias (conto)

Gavilan (Clara Gavilan) – Tomando antibiótico (cartum)

Leia-me: O Fantasma de tio William

fantasma-de-tio-william-rubens-francisco-lucchettiPense num filme da sessão da tarde. Aquele bem leve que você assiste para se divertir, sem tirar grandes lições ou reflexões para a vida e que ainda garante umas boas risadas.

Esse é o Fantasma de Tio William, de Rubens Francisco Lucchetti.

Li esse livro ainda criança e virou um dos meus favoritos durante a infância, quando eu era apenas uma pequena Deka viciada na Série Vaga-lume. É um livro super curtinho e eu me envolvia tanto com a historinha, que queria encenar uma peça na escola sobre ele.

A narrativa é sobre um casal que mora em uma mansão esquisita: Magda e John. Os dois vivem muito felizes, até que John se apaixona por Carmen uma atriz de teatro muito exuberante. Magda tem certeza de que o marido só se interessou por outra porque ela não consegue engravidar. Continuar lendo

Nova

caderno-escrito-a-maoParei estática diante daquela página em branco.

Olhei para todas as outras já escritas.

Algumas rasgadas, sujas, amarrotadas.

Outras lindas, morro de orgulho delas. Fiz desenhos nas bordas, para decorá-las, caprichei na letra.

E também havia as páginas garranchadas, com manchas na tinta da caneta que não deixavam dúvidas de que foram lágrimas que caíram, enquanto derramava o estado mais bruto da minha alma naquelas linhas.

Aquilo tudo não seria deixado para trás, eu já sabia. Já passei por muitas páginas limpas na minha vida.

Mas ela não deixava de me assustar. Ela parecia ser completamente diferente de tudo o que eu já havia vivido, mesmo sendo apenas uma página em branco. Continuar lendo

Coisas boas da semana

Oi, você que me lê!

Essa semana um leitor veio conversar comigo no facebook – vários já fizeram isso e, por favor, façam mais! Cada pessoa nova com quem converso é uma história nova para a minha coleção =) – e me perguntou delicadamente porque eu não respondo a maioria dos comentários dele em meu blog.

Coincidentemente, vi o vídeo da palestra da Amanda Palmer, que até linko abaixo (e de quem eu sou fã histérica), no TED e achei que merecia um esclarecimento para que quem viesse aqui ler soubesse como encaro as coisas e não corra o risco de se sentir preterido.

Já disse aqui que as histórias brotam na minha mente a partir de qualquer coisa que vejo no meu cotidiano. A partir dessas experiências, a história começa a se formar como uma voz, me dizendo o que devo colocar em cada linha, cada frase. Quando essa voz está tão alta e clara que mal posso ouvir meus outros pensamentos, eu a escrevo e ofereço ao público neste blog.

Acontece que escrever literariamente é o que me realiza e me faz sentir um pouco mais útil no mundo. Quando alguém acessa esta página e lê o que eu escrevi, está consumindo algo que eu dediquei meu tempo (e até meu coração, por que não?) justamente para que possa servir de alguma coisa para alguém. Seja para divertir, seja para passar o tempo, seja para fazer pensar um pouco, para discordar completamente e achar uma bosta ou apenas para dizer “Calma, cara. Eu te entendo.”

Então quando recebo comentários nos meus posts, é um sinal de que esse meu objetivo foi alcançado: alguém se deixou envolver pelo que eu tinha a oferecer e ainda ofereceu algo em troca. Muitas das vezes, um leitor me oferece ainda mais do que eu ofereci a ele e o seu comentário acaba deixando meu texto mais rico. Cada um tem uma interpretação do que lê. Muitas vezes você, leitor, vê coisas nos meus textos que eu mesma nem havia imaginado.

Por isso, quando o leitor acrescenta algo ao meu texto, mas eu não tenho nada a acrescentar ao comentário dele, eu não respondo. Falar é prata e calar é ouro. Costumo responder leitores que vejo que é a primeira vez que comentam, para que se sintam acolhidos a comentarem novamente e continuarem enriquecendo o pouco que eu ofereço.

Então, por favor, se sentire vontade de dizer qualquer coisa ao ler um texto meu, seja para discordar ou para dizer que se identificou e ficou feliz em ler, comente SEMPRE. Se preferir, mande uma mensagem no meu facebook ou uma mention no twitter. Eu sou tagarela, falo com todo mundo. Vou ficar muito feliz em dialogar, em vez de manter um monólogo.

Brigada eu.

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TED Talks (Amanda Palmer) – A arte de pedir (vídeo)

Confeitaria Mag (Fabricio Teixeira) – Ainda bem (conto)

Juventude Perigosa (Fernando Duarte) – Sarada (HQ)

O Esquema (Alexandre Matias) – A gata do Laerte (HQ)

O Mundo A Parte (Fernanda Mota) – Algumas coisas sobre muita coisa (artigo)

Do Óbvio ao Avesso (Juliana Cimeno) – Sobre o Sol (conto)

Mentirinhas (Fabio Coala) – Escuridão (HQ)

Café com Nata (Nata Castro) – Tu enfermedad (conto)

Os Levados da Breca (Wesley Samp) – Esquisito (tirinha)

Um Pouco do Novo (Paula Bastos) – O querer e o não poder ter (artigo)

Nunca Fui Fofa (Dre Reze) – Não é nada disso (crônica)

Ryotiras (Ryot) – El Camino (tirinhas)

Casa da Gabi (Gabi Bianco) – Ser feminista é muito chato (artigo)

Entre Todas as Coisas (Daniel Bovolento) – Quando você foi embora (crônica)

Trivialidades da Vida (Fernanda Mota) – Café (conto)

 

Ilusão

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Tem mais Wesley Samp no Os Levados da Breca.

Saia justa

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_O que? Estou com fone de ouvido, não consigo…

_…

_Sim, claro. Posso tirá-los. Por que não?

_É aqui que passa o ônibus 845?

_É sim. Acho que passa em 5 minutos.

_Ah, muito obrigada, menina. Achei que o tinha perdido.

_É, não perdeu não. – (sorriso) Continuar lendo

Coisas boas da semana

Oi, você que me lê! ❤

Como vai a família? Tudo certinho no trabalho?

Hoje estou particularmente emocionada porque recebi uma sugestão de post de uma leitora, a Marcela, me pedindo para contar como tive a ideia para o nome do blog. Isso nunca tinha me acontecido antes. Tô me debulhando em fofurice aqui.

A ideia para o nome do blog surgiu há mais ou menos uns seis ou sete anos, em um daqueles momentos que a gente não está fazendo nada e de repente uma ideia brota do vácuo. Pensei: “se um dia eu tiver um blog, vai se chamar Memórias da Pedra do Sapato”.

Aí nasceu meu primeiro projeto de blog, no UOL Blogs, há seis anos. Lá eu pretendia escrever mais para ter como provar para alguém que eu sabia escrever direitinho, quando surgisse alguma vaga para ser redatora em algum lugar. Acabou sendo um blog muito pessoal, onde eu postava coisas sobre namoradinhos da época, músicas para minhas crises existenciais e de vez em quando um conto ou uma crônica.

Em 2009, quando eu resolvi fazer o blog no wordpress, eu resolvi fazer a coisa direito e defini uma linha editorial para ele: seria um blog de contos, crônicas e conteúdo literário e autoral de modo geral. E por que as pessoas deveriam ler esses contos/crônicas? Foi nessa hora que o nome do blog fez realmente sentido.

Para quem não me conhece pessoalmente, eu tenho um metro e meio de altura (1,51m para ser exata) e não tenho peso o suficiente nem para doar sangue. Isso quer dizer que eu sou MUITO pequena. Ainda assim, eu sou pentelha. Gosto de incomodar as pessoas. Uma amiga costumava dizer “A Deka é pequenininha, mas estorva.” Maior das verdades. Ou não.

Eu resolvi que com os meus contos e crônicas eu iria chamar a atenção dos meus leitores para aquelas coisas, momentos, sentimentos e emoções que nós fazemos questão de ser indiferentes. E isso incomoda. Então o nome Memórias da Pedra do Sapato parecia perfeito, não?

Um belo dia, o Felipe Carriço tweetou a frase que está na descrição do blog: “Qualquer semelhança com a realidade é mera consciência” e isso era perfeito para a mensagem que eu queria transmitir. Pedi a permissão dele para usar a frase e ela está no topo do meu blog desde que ele existe.

Portanto, foi assim que nasceu o nome do blog e a linha editorial dele. Espero que não tenha se decepcionado agora que sabe que não me foi revelado durante um sonho em que o Matheus Verdelho sussurrava o nome em meu ouvido, ou mesmo em um dia que eu tivesse me perdido no bosque e descoberto um reino de duendes que me presentearam com o nome perfeito.

Enfim, bom final de semana, bons links e até a próxima conversinha. =)

Brigada eu.

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Trivialidades da Vida (Fernanda Mota) – Então (conto)

Ryotiras (Ryot) – Rage against the machinima (tirinhas)

Ordinários (Evandro Ferreira) – Semana (conto)

Torradas Tostadas (Nina Rocha) – Casa dos Sonhos (crônica)

Fear of Flying (Conor Finnegan) – Fear of flying (vídeo – vi no Os Profanos)

A Vaca Voadora (Fer Torquato) – Retratos Instantâneos (HQ)

Nunca Fui Fofa (Dre Reze) – Feliz propriedade de um gato (crônica)

Os Levados da Breca (Wesley Samp) – O Muro (HQ)

Entre Todas as Coisas (Daniel Bovolento) – Deixa ela entrar (crônica)

Mentirinhas (Fabio Coala) – Uma lenda (HQ)

Do Óbvio ao Avesso (Juliana Cimeno) – Sobre a arma quente (conto)

Edubernard (Eduardo Bernardinelli) – Por que querer a verdade? (poesia)

Destino

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Tem mais Wesley Samp no Os Levados da Breca