O pedido

_Boa tarde, senhora. O que deseja?

“Uau, nossa… Essa é uma pergunta bastante complexa… Veja bem, se está se referindo apenas ao que desejo neste momento, bom…

Primeiramente gostaria de ter mais energia, sabe? Normalmente canalizo toda minha energia às minhas atividades que considero prioridade e então, quando chega a hora de botar em prática aquelas que verdadeiramente me realizam, não tenho mais ânimo e parto apenas para o que me traz prazer imediato.

Também gostaria de deixar de julgar as pessoas, entende? Mas isso parece que é quase inconsciente. Quando você vê, BANG! Julgando. Não é legal.

Talvez dar uma maneirada nas minhas expectativas em cima das pessoas (sempre acabo botando um peso desnecessário sobre elas) e aprender a lidar melhor com minhas frustrações, mas isso só num âmbito pessoal, entende? Porque se formos falar do que eu desejo do mundo…

Gostaria de verdade que as pessoas fosse menos individualistas… De uma maneira bastante ampla, isso faz com que lutem quando estão sendo oprimidas, mas parem de lutar a partir do instante que deixam de ser oprimidas e se tornam opressoras. Seria tão bom se lutássemos todos até que todos deixássemos de ser oprimidos. Ou melhor: até que não houvesse mais opressores…

E acharia ótimo que parássemos todos de padronizar coisas como beleza, sucesso, reputação e etc, porque pense comigo: o mundo é muito mais cheio de meio-termos do que de pretos e brancos. Beleza não é apenas ser de uma determinada maneira, com um determinado corpo e um determinado tipo de cabelo. Sucesso não é apenas ser famoso, rico ou ambos. E reputação… desculpe, mas acho que ser uma boa pessoa é muito mais profundo do que fazer com que a sua imagem para os outros seja boa.

E por falar em imagem, se todos se preocupassem menos em aparentar ser algo e mais em realmente sê-lo, acho que viver seria muito mais tranquilo.

Mas o que posso fazer? Desejar não é poder ter, né?

Vou trabalhando naquelas coisas pessoais que te falei e me esforçando por ser a mudança que quero no mundo. O mais longe que posso ir é escrever o que penso e esperar que alguém se identifique. Ainda assim é algo perigoso, porque quem disse que o que eu escrevo é o correto? É o que eu penso que seja correto. Na melhor das hipóteses é o certo para mim, não para os outros.

Então essa é uma pergunta verdadeiramente complexa.”

_Ah, me vê uma água sem gás, por favor.

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