Ponto de fuga

microconto

Confiram o trabalho do Wesley Sampo no Os Levados da Breca! =D

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Coisas boas da semana

Acho tão engraçado quando ouço alguém dizer que não gosta de ler, quanto quando alguém me diz que não gosta de música. A esse tipo de afirmação costumo responder que leitura é como música: você só não encontrou o tipo que te agrada. E é claro que eu estou errada. Tem gente que não gosta mesmo de ler, assim como tem gente que não se liga em música. Mas esse é o reflexo da importância que essas coisas têm na minha vida.

Meus pais tiveram a preocupação de me educar musicalmente desde muito pequena. Faziam questão que eu tivesse contato com as (poucas) músicas clássicas e eruditas que eles conheciam. Tive aulas de teclado e teoria musical até os catorze anos de idade. E cheguei a lecionar informalmente introdução à música para crianças, durante quatro anos.

Por isso eu tenho um ouvido muito chato. Digo que, para me agradar, uma música tem que passar pelo teste do arrepio. Se eu ouvi e não me arrepiou, não é nada demais. Mas, na verdade, gosto de músicas que me acrescentem algo. Que me ajudem a me decifrar ou me transformer, transcendam. Não é raro eu ouvir um cantor/banda novos, não curtir e, depois de um período de amadurecimento ou mudanças, ouvir novamente e simplesmente adorar o mesmo cantor/banda. Foi o que aconteceu com Birdy, Grimes e Foster the People, só para começar.

Eu também adoro conhecer bandas novas. Mas elas precisam ter algo que as façam diferente do que já cansei de ouvir no mundo. Sempre estou pesquisando vozes novas no youtube e, um tumblr que tem trazidos gratas surpresas a mim foi o Seis Músicas que a Juliana me apresentou. Esse tumblr oferece seis músicas para qualquer situação, tipo “lavar louça”, “pintar as unhas”, “ouvir chapado”.

Caso queiram conhecer o que eu gosto, façam uma visitinha ao meu perfil do Grooveshark. Separo minhas playlists por cantores favoritos ou humor, como poderão ver.

Vou deixar vocês com Lorde, que foi a Coisa Boa dessa semana. Que me fez querer tatuar o refrão dela em algum lugar bem visível.

Brigada eu.

cigarro

Contratempos Modernos (Rodrigo Chaves) – Desenhista e o amor (tirinha)

Mc Garden – Isso é Brasil (Vai lá. Fala que funk não é cultura.)

Mentirinhas (Fabio Coala) – Sonho (tirinha)

Entre Todas as Coisas (Daniel Bovolento) – Cansei de ser sozinha (conto)

Mas Não me Diga (Guilherme Alves) – 7 sinais de que de que o “gigante” talvez devesse voltar a dormir (artigo)

Blogueiras Negras (tradução de Mabia Barros) – Por que ter uma boneca negra? (artigo)

Do Óbvio ao Avesso (Juliana Cimeno) – Sobre a última aventura de férias (conto)

Caos Bravo (Alysson Villalba) – Há 13 anos, carroceiro limpa o rio Tietê (informativo)

Casa da Gabi (Gabi Bianco) – Só precisa de cura quem está doente (artigo)

Os Levados da Breca (Wesley Samp) – Culpados (tirinha)

Bichinhos de Jardim (Clara Gomes) – Grande Nação Formiguil – Parte 1 (HQ)

Intocável

Já nos bastidores, pendurou a câmera no pescoço, colocou as lentes nos bolsos do colete, ao lado das baterias e dos rolos de filme.

Em tempos de efemeridades e retoques digitais, ele era uma pessoa analógica. Gostava do raciocínio que os contrastes, luzes e cores perfeitos demandavam, sem recorrer aos artifícios de editores de imagem.

Aquele espetáculo seria o maior do ano e ele não poderia deixar passar um único momento sequer. Não bastasse o tamanho do evento, o dia trazia outra importância para si: marcava exatos 12 meses que conhecera, ali, naquele mesmo palco, a mulher pela qual era apaixonado. Continuar lendo

Pausa Semibreve

Sentou-se novamente em frente ao piano, pousou as mãos no teclado e ficou imóvel por horas.
Exasperado, quase rasgou as páginas de partituras que vinha compondo nos últimos meses, mas preferiu descontar sua frustração nas teclas, em uma cacofonia carregada de ódio.

Levantou suado, emaranhando os dedos nos cabelos e andando em círculos pela sala ampla. Continuar lendo

Sonata em si menor

A porta do apartamento se abriu, iluminando seu interior com a luz do corredor do prédio. Ela tateou a parede em busca do interruptor antes de entrar e depositar a caixa do violino no chão. Entrou no hall, desenrolou o cachecol do pescoço e pendurou-o no mancebo, junto ao casaco.

Foi ao banheiro, ligou o chuveiro e deixou que o vapor o tomasse.

Buscou no quarto um roupão, seguiu despindo-se pela sala e chegou ao banheiro já nua, a pele arrepiada. Não demonstrou incômodo pelo frio.

Saiu de lá envolta no roupão, enxugando os cabelos com uma toalha. Na cozinha, chegou a abrir a geladeira para procurar algo, mas desistiu, com um gesto contrariado. Estava sem fome.

Voltou à sala e abriu a cortina, para que as luzes da cidade iluminassem somente o necessário. Apagou as luzes do quarto e da cozinha. Queria que seus pensamentos fossem mantidos sob a penumbra. Continuar lendo