Sacrifício

Amigos para siempre…

Estacionei o carro em frente ao local combinado e desliguei o motor do carro. Ele havia me dito: “Esteja aqui em 15 minutos.” Cheguei pontualmente, mas ele ainda não estava me esperando.

Eu, particularmente, duvidava de que ele fosse realmente cumprir o que tinha me dito. Eu ainda tendia a acreditar que o velho Armando, meu amigo de infância, era o mesmo.

O mesmo cara que eu conheci no intervalo da quinta série. Eu um valentão. Ele um cara solitário. Gostava de implicar com ele, mas nunca o agredi fisicamente. No fundo, sabia que ele era gente boa. Continuar lendo

O troco

O Condenado

Olá, querida.

Eu sei que estas palavras nunca chegarão ao seu conhecimento, mas eu preciso delas. Talvez seja aquele prazer masoquista – que você bem conhece – que me faz relembrar incessantemente da minha dor, só por senti-la novamente, já que onde estou nem o alívio do desabafo me é concedido.

Não estou tão longe de você quanto imagina. Ou quanto gostaria que eu estivesse. E pode ser que até eu mesmo gostaria de estar bem longe daqui. Mas não posso me afastar. Preciso estar perto de você o tempo todo. Ouvir sua voz. Acompanhar o seu dia. Continuar lendo

Redenção

Voltou a si e a primeira coisa que pensou foi: “Há quanto tempo?”

Tentava se mover, mas a dor era imensa. Resolveu esperar a tontura passar.

Escorregou a palma da mão no chão, onde estava caída. Sujou-a com o próprio sangue que havia respingado ali.

O silêncio da casa só era interrompido pelos roncos que vinham do sofá.

“Preciso fazer o café, antes que ele acorde.”

Concentrou a pouca força nos braços e conseguiu erguer o tronco. Mais um bom tempo usando roupas compridas para esconder os hematomas. Estava fazendo muito calor, ultimamente. Mas era melhor do que ficar respondendo às perguntas indiscretas. Continuar lendo

Enjoy the silence – final

Ele caiu do tronco quase desfalecido. E disse-me as palavras que nunca vou esquecer:

_Meu coração sempre baterá por Sinhazinha.

A fúria me tomou de tal forma, que chutei-lhe o rosto e pude ouvir o som de seu nariz se quebrando.

_Mate-o – ordenei ao feitor.

Ele me olhou aparvalhado.

_Mate-o logo. Mate logo essa besta nojenta, antes que você tenha o mesmo destino que ele!

Ele tirou o revólver do cinturão e eu o impedi.

_Não! Arranque o coração dele!

O feitor gaguejou, começou a tremer. Balbuciou qualquer coisa de que era muita crueldade. Eu nem ouvia apenas esperava, com os punhos cerrados e os lábios comprimidos. Continuar lendo

Enjoy the silence…

Já fazia alguns anos que eu havia seguido minha vocação e dedicado o meu destino ao Senhor. Era a ajudante pessoal da Madre Superiora e nunca imaginei que este posto me colocaria na terrível situação que narrarei.

Entre minhas tarefas habituais, estava organizar o escritório da Madre e cuidar das moças rebeldes que iam parar dentro das nossas paredes. Dentre estas, uma é a personagem principal de um romance não correspondido, cujas consequências foram terríveis.

Tratava-se da filha de um coronel, que como tantas outras trouxe humilhação social à sua família. O caso era que estas moças sempre acabavam nos conventos, nunca por vocação. Nestas situações, costumávamos não fazer muitas perguntas, porém especulações são inevitáveis: Ela não tinha a aparência de quem abortara algum filho, ou mesmo que tivesse sido afastada de um amor impróprio. Na verdade, parecia feliz por estar entre nós. Chegou um tanto pálida e fragilizada, é verdade. Mas carregando um leve sorriso de alívio nos lábios, o que me intrigava. Continuar lendo