O melhor leitor de começos de livro

Numa das tantas viagens, ele se sentou ao meu lado, achando que sua poltrona fosse a da janela. Não era, mas ofereci. Caso ele fizesse questão….

_Não há problema, pode ficar.

Um cavalheiro.

Ao se acomodar, sacou o celular e pronunciou uma breve conversa em inglês. Pelo tom carinhoso da voz e a simplicidade das palavras que usou, supus que estivesse falando com a mulher.

Durante a primeira parte da viagem, eu dormi. E quando acordei, estávamos estacionados na parada e havíamos levado duas horas além do habitual, para chegar até ali. Véspera de feriado. Continuar lendo

O próximo ponto

Sei lá, ela só estava ali sentada no banco do ônibus, do lado da janela, sem grandes expectativas a respeito daquele fim de tarde. Nada demais. Coisa básica, normal.

Só que, entre uma curva e um farol fechado, quatro caras deram sinal para o ônibus e assim que ele deu partida anunciaram o assalto.

Enquanto um deles segurava uma arma nas costas do motorista, com instruções claras sobre agir normalmente e não parar o ônibus antes do próximo ponto, o segundo pulou a catraca para tirar tudo o que houvesse de valor dos passageiros e o terceiro fazia “a limpa” na caixa do cobrador.

Assim como os demais usuários de transporte público ali presentes, ela entregou a carteira, celular e relógio sem levantar o rosto e já estava achando que tudo ia ficar bem quando o bandido pediu sua aliança de noivado. Aí não aguentou mais, começou a chorar e entregou a aliança.

Encolheu-se na sua janela, soluçante e lacrimosa, querendo que tudo passasse bem rápido, quando o quarto rapaz, que estava na parte da frente do ônibus, percorreu o veículo, como se estivesse inspecionando o serviço dos comparsas.

Pelo jeito ele era o chefe de todos e, ela encolheu-se ainda mais, parou exatamente ao lado dela. Sentindo a boca do estômago se contrair, ela não conseguia forças para erguer os olhos, quando tomou o maior susto da sua vida: Continuar lendo