Impotente

babyCry_2371027bO bebê não parava de chorar.

Ela apenas encarava a criaturinha dentro do berço de plástico, cuidadosamente estacionado pela enfermeira ao lado do seu leito no quarto 341. Sua expressão era tão estática quanto indecifrável.

Ela odiava aquele bebê. E sofria por isso. Sempre ouvira falar sobre o instinto maternal e se corroía por não ser capaz de amar automaticamente a criança que carregara por nove meses dentro de si.

Só queria que ele calasse a boca. Não queria ter de acalentá-lo, mas sabia que era sua obrigação, como mãe. Por um momento começou a juntar os panos que estavam dentro do carrinho e amontoá-los sobre a boca do bebê para abafar os gritos estridentes. Mas então viu os bracinhos se agitando e recuou horrorizada pelo que fizera. Não queria matá-lo, apenas silêncio. Porém ele chorava ainda mais alto, agora. Continuar lendo