Verão

O calor era tão grande que o silêncio reinava sob o sol a pino.Os animais se escondiam debaixo das copas das árvores, buscando por qualquer réstia de sombra que pudesse lhes proporcionar frescor. Muitos se deitavam nas águas rasas do riacho para refrescar e todos evitavam subir nas pedras, tão quentes que era possível ver a quentura subindo em ondas inquietas.

A madeira das árvores antigas, e já mortas, expandia e estalava com o calor. O ar estava cálido e parado, como se todo o bosque estivesse envolto em um espaço fechado como uma estufa.
Seria impossível continuar suportando aquilo, se próximo ao início da tarde uma leve brisa não começasse a balançar as folhas da vegetação.

Algumas horas mais tarde e a brisa já havia se transformado em vento, que forçava as árvores a curvarem seus troncos a seu gosto, todas envolvidas na mesma força e no mesmo ritmo.

Os pássaros tentavam lutar contra as forças da natureza, mas o esforço apenas os mantinha voando no mesmo lugar, até que desistiam e se deixavam planar exaustos, a favor do vento. Continuar lendo

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Primeiros erros

Tateou todos os bolsos do paletó atrás das chaves e quando as encontrou, teve dificuldades em firmá-las para trancar a porta, devido aos dedos molhados.

A água caia-lhe incessantemente sobre a cabeça, escorrendo pelo pescoço, costas e braços, até chegar por fim às mãos, culminando no seu maior problema do momento: segurar as chaves com firmeza. Já um pouco irritado, depositou a maleta no chão e segurou as chaves com as duas mãos. Enfim trancou a porta.

Pegou de volta a maleta e antes de descer os dois degraus, ajeitou o chapéu na cabeça, tomou o guarda-chuva e o abriu para se proteger.

A chuva o acompanhou em todo o trajeto pela calçada de pedra, sem trégua. Já habituado, ele não dava mostras de se importar em estar constantemente ensopado. Mas as pessoas na rua não gostavam de seu guarda-chuva estranho, que nos dias de muito vento insistia em se revirar. Continuar lendo