Leia-me: Amarga Herança de Leo

amarga-heranca-de-leo-isabel-vieira_MLB-F-210891528_5409Não sei o que me faz ter livros favoritos: se a história que está dentro deles ou a minha história com cada um deles.

Eu sou dessas que, quando pega um livro já lido, lembra exatamente como foi que ele foi parar nas minhas mãos. E aí acabo criando um laço afetivo com aquele exemplar, o que me deixa automaticamente ciumenta e possessiva (apenas com livros, que fique claro).

A Amarga Herança de Leo, de Isabel Vieira, foi desses. Foi o primeiro livro que peguei na biblioteca do colégio, quando descobri que havia uma. (Sim, o colégio onde estudei era tão bom que nem avisavam os alunos onde ficava a biblioteca, ou sequer de que havia uma.) E foi o primeiro livro que me fez chorar. Depois que devolvi esse livro, o procurei durante muitos anos. E para ajudar, esqueci o nome correto. Nessa nem o google me ajudou. Por sorte, semana passada, pesquisando para fazer a resenha de Negras Raízes, cheguei a um blog que também havia resenhado a Amarga Herança.

Embora a história seja sobre Léo, ela é contada por Flora, a protagonista. Os dois se conhecem ainda crianças e Flora diz que eles desenvolvem uma “parceria cósmica.” Porém, na verdade, o que acontece é que a menina Flora, assim como a adolescente Flora, criam uma admiração intensa por Léo e acabam sendo vítimas da insegurança e inconstância do garoto.

Eles crescem juntos, têm uma turma legal e na juventude eles descobrem juntos o sexo, as drogas e o rock’n’roll. Também descobrem os Beatles, The Doors e Jimi Hendrix.

O que mexeu comigo nessa história além, é claro, da tal amarga herança, é a forma como Flora fica completamente indefesa na presença de Léo. Acho que toda mundo já teve um “Léo” em sua vida. Aquela pessoa que, quando chega, todo o seu controle vai embora e você se deixa levar pela música do jeito que ela toca.

Os dois vivem um romance no pior sentido da palavra “romântico”: paixão doentia que beira a obsessão e, por mais que nunca estejam bem juntos, não conseguem se afastar um do outro e, creiam-me, essa nem de longe é a parte mais importante do livro.

Uma história feita pra gente sentar, chorar e pensar. Pensar em todos os Léos e Floras que já passaram por nossa vida e o que a gente poderia fazer para tudo terminar de um jeito diferente. E pensar “será que eu poderia ter feito algo para essa história terminar diferente?”

Sinceramente, é o tipo de pensamento que eu desejo nunca precisar ter.

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