Leia-me: O Livro das Coisas Perdidas

Esse é um momento muito importante para mim. Vou falar para vocês sobre o meu livro favorito e estou morrendo de medo de ser injusta com ele, ou não convencê-los de que é o melhor que já li.

Sim, eu amo livros. Conheço muitas histórias que eu morro de inveja dos filhos da puta que as escreveram. Mas tenho um favorito e o seu nome é “O Livro das Coisas Perdidas“, de John Connolly.

Vamos começar pelo fato de que O Livro é do meu gênero favorito: conto de fadas (ficção fantástica e tem até nacionalidade: “irlandesa”). Segundo que, essa história mistura fantasia e realidade de uma maneira tão magistral e cruel, que só vi parecido em O Labirinto do Fauno, só que ainda melhor.

David, um garotinho inglês, está perdendo a mãe para uma doença terrível. Por conta disso, ele passa a desenvolver comportamentos obsessivos compulsivos, pois acha que se fizer rituais como lavar as mãos um certo número de vezes corretamente e por tempo suficiente, sua mãe se salvará. Mas não funciona. E então ficam só ele e o pai. E algum tempo depois, o pai arranja uma namorada. E a namorada engravida. E então as crianças londrinas começam a ser enviadas pelos pais para o interior, por conta da guerra (certeza que Pedro, Edmundo, Suzana e Lúcia estavam nessa galera.) Até que finalmente o pai de David resolve se mudar para uma casa no interior com David, Rose (a namorada) e o irmãozinho.

Achou pouco? Nesse meio tempo, David começa a sofrer convulsões, onde ele supostamente perde a consciência, mas na verdade ele é enviado a um outro mundo, onde ele ouve a voz da mãe chamando-o, em perigo. Neste mundo os contos de fadas criam vida, mas de um jeito tão bizarro e apavorante, que em alguns momentos você precisa parar de ler e olhar em torno, para se lembrar de que está no mundo real. Os contos de fadas são corrompidos e conseguem ficar ainda piores do que as versões originais, aquelas antes de ganharem os vernizes da Disney. E, claro, David fica preso nesse mundo e precisa achar um jeito de encontrar a mãe e voltar para casa antes que seja tarde.

Essa história é de fantasia e horror e os limites entre realidade e imaginação são inexistentes. É um livro feito para ser devorado e lido antes de dormir, para se ter medo do Homem Torto e de sonhar e não conseguir voltar do mundo dos sonhos.

E até hoje eu guardo secretamente o desejo de ser capaz de ouvir as vozes dos livros assim como David consegue.

Anúncios

6 pensamentos sobre “Leia-me: O Livro das Coisas Perdidas

  1. Há algumas semanas atrás meus horários mudaram radicalmente. Passei a viver no cronograma socialmente aceitável, o que significa não poder ir dormir às 5am, lendo ou escrevendo. Mas era duas da manhã do dia 6 de março, ou 7, dependendo de como você vê a vida, e faltavam exatas 30 páginas de O Livro das Coisas Perdidas para o final da história.

    Eu não sou medrosa, juro que não, gosto de provar minha coragem ao enfrentar as coisas que eu sei que existem no escuro. Mas a ideia de criaturas criadas a partir de medos que nem ousamos contemplar internamente? Ainda é algo a se superar. Por isso estava embaixo da coberta, com a lanterninha do celular iluminando as folhas pólen, e com aquela sensação de quem vê alguém muito querido se preparando para partir. A história estava chegando ao fim.

    Então, primeiro meus olhos, depois minha mente e, por fim, meu coração, leram a frase “And in the darkness David closed his eyes, as all that was lost was found again” (não sei porque fico lembrando da frase em inglês, o livro estava em português). E eu fechei o livro com a certeza de que, no momento certo, encontraria as minhas coisas perdidas também.

    Enfim, né? Eu li o livro por sua indicação, não sei se lembra. E fico feliz por ter prestado atenção naquele tweet. Acho que indicar livros é criar vínculos (minha professora diz que isso é a definição de comunicação, mas esses vínculos, os dos livros, são mais fortes) e, agora, sempre que pensar em David, no Homem Torto, no Lenhador e no verdadeiro sentido por trás dos contos de fadas, também pensarei em você ♥

    • Oi, Ju!

      Com certeza, O Livro é desses que a gente não quer que termine nunca.

      A gente vai lendo sofregamente, como se fosse aquele copo d’água depois de uma caminhada sob o sol do meio dia e, quando vê que as últimas páginas estão chegando, começamos a ler mais devagar de propósito.

      E os vínculos criados pelos livros em comum são a melhor definição de amor que eu conheço 😉

      (Emocionada por você lembrar de mim, quando se lembrar dessa história. Mesmo.)

  2. Eu amo conto de fadas, fantasia, horror e mistura entre ficção e realidade. Todas essas coisas me fascinam de um jeito incrível. Sou apaixonado por Alice no País das Maravilhas e por Once Upon a Time. Tenho certeza que vou gostar e já está na lista de leitura.

    • Quando li O Livro, já tinha assistido aos primeiros episódios de Once Upon a Time e até achei que talvez os roteiristas tivessem se inspirado um pouco nessa história. Mas se foi isso, foi bem pouco. Os dois têm pouquíssimo em comum e, mesmo tratando de contos de fadas, são bons de maneiras diferentes.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s