Carta à enfermeira da Santa Casa

18989_nurses_kids_520“17 de janeiro de 2013.

Querida enfermeira da Santa Casa,

Creio que não se lembra de mim. Essa madrugada estive no hospital pois desceu pra mim por conta de uma cólica e precisei tomar buscop remédios na veia. Você também tirou meu sangue para análise clínica. O médico que me atendeu achou que essa cólica toda poderia ser falta de alguma vitamina.

Mas também não espero que se lembre de mim. Tantas pessoas passam pelos seus cuidados todos os dias… Seria de uma memória invejável, se lembrasse de cada uma delas. Está aí algo que eu deveria aprender com você.

Eu me lembrarei de você, porque era a mais atenciosa e divertida das enfermeiras em plantão. Enquanto todas já estavam exaustas, o que é completamente compreencivel compreensível, você ainda estava sorridente. Chegava ao ponto admirável de ser carinhosa com os pacientes. Logo se vê que o faz por amor.

Foi nessa hora que me identifiquei. Eu também cuido de pessoas que não estão bem. E, assim como você, faço com paixão, usando o carinho como bálsamo. A diferença é que você escolheu essa profissão e cuida de pessoas que estão doentes. Enquanto eu recebo sob meus cuidados aqueles que tiveram o coração partido.

É engraçado como as pessoas sempre chegam aos meus baç braços depois de terem sofrido duros golpes. E é quase bonito ver como se apegam rápido, vendo em mim um porto seguro, pronto para ajudá-los a recolherem os cacos e reconstruírem o quebra-cabeças que suas vidas se tornaram. Digo quase porque, assim que se vêem confortados, meus cuidados não são mais necessários e as pessoas se vão.

Acho que você sabe como é, vê-los indo embora depois que não precisam mais de você. E está aí outra coisa que devo aprender com você, além de esquecer todos que se vão: ficar feliz por essas pessoas finalmente estarem bem e poderem partir.

Mas depois… quem cuida do meu coração partido?”

Um beijo da menina menstr da cólica.”

4 pensamentos sobre “Carta à enfermeira da Santa Casa

  1. Essa geração da conveniência não pode lidar com uma certa parte das pessoas.
    Afinal, se todos decidirem esperar algo em troca, um pequeno meneio de cabeça que traga a consciência de que – “Poxa, eu poderia ser útil para essa pessoa que me ajudou tanto” – faria toda a diferença. Mas não, nós apenas nos curamos para encontrar outra maneira prazerosa de se machucar de novo.

    Está se superando, srta Deka.

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