Amigos para siempre…

Estacionei o carro em frente ao local combinado e desliguei o motor do carro. Ele havia me dito: “Esteja aqui em 15 minutos.” Cheguei pontualmente, mas ele ainda não estava me esperando.

Eu, particularmente, duvidava de que ele fosse realmente cumprir o que tinha me dito. Eu ainda tendia a acreditar que o velho Armando, meu amigo de infância, era o mesmo.

O mesmo cara que eu conheci no intervalo da quinta série. Eu um valentão. Ele um cara solitário. Gostava de implicar com ele, mas nunca o agredi fisicamente. No fundo, sabia que ele era gente boa.

Viramos amigos no mesmo ano, quando me apaixonei pela prima dele que estava na sexta série. Foi minha primeira namorada, graças a grande ajuda que ele me deu. Depois disso, nunca mais nos separamos. Eu e ele. A namorada durou só uns poucos meses.

Crescemos enfrentando a adolescência juntos. Servimos o exército juntos. Eu sempre expansivo, falador, impulsivo. Ele caladão, pensador e estrategista. Formávamos uma dupla perfeita.

Ele não era tímido, mas introspectivo. E por isso foi o último da turma a arranjar um namoro sério.

A garota era boazinha até, no começo. Quando ele a apresentou a nós foi simpática e educada. Acreditei que seria bom pro Armando ter sua companhia.

Mas com o tempo ela começou a se mostrar um tanto problemática. Não se dava muito bem com os pais, quando tinha crises depressivas agredia as pessoas e era extremamente possessiva.

É claro que quem mais sofria com tudo isso era o Armando. E depois de cinco longos meses na mesma situação, ele decidiu terminar o namoro.

Não sei se foi esse o erro, ou se na verdade ele já havia errado ao começar tudo aquilo. A questão é que ninguém estava esperando essa atitude da ex-namorada dele.

Ela apareceu na casa dele de madrugada, chorando, implorando para que voltassem. Chovia. Ele não queria voltar, mas não podia simplesmente trancar a menina do lado de fora, então ela dormiu lá. Acabou rolando o inevitável e no dia seguinte ele foi preso por “estuprá-la”.

Como ela conseguiu as marcas de violência pra dar parte pra polícia, eu não sei. Mas a análise do esperma encontrado nela foi inquestionável. Armando foi condenado e cumpriu pena por longos anos.

Não precisei conversar com ele para ter certeza de sua inocência. Eu o conhecia e ele seria incapaz de cometer qualquer ato que prejudicasse alguém. Naquela época.

Quando foi solto, eu fui buscá-lo na penitenciária. A maior mudança – embora esta também houvesse sido drástica – não foi na aparência. Armando continuava calado. Mas havia sumido qualquer vestígio de sensibilidade. Agora seu rosto possuía rugas no cenho e de um sorriso de escárnio. Quando falava, as palavras saíam carregadas de amargura. Comecei a odiar a mulher que transformou o meu amigo naquele ser frio, distante e desesperançado.

Nos meses que se passaram, evitávamos tocar no assunto. Até semana passada, quando recebi sua ligação: “Fábio, vou dar um jeito nesse fantasma que me assombra e preciso da sua ajuda. Não me pergunte nada, apenas faça o que eu te pedir no dia em que eu te pedir.”

Não discuti. Ele era meu grande amigo. Secretamente eu queria muito que aquela injustiça fosse reparada na lei de Talião.

Naquele dia ele me ligou. “Vou visitá-la uma última vez. Preciso que esteja lá assim que eu te ligar.”

_Combinado.

Onze e vinte recebo a ligação em meu celular. “Venha me buscar. Meu vôo sai às duas. Esteja aqui em 15 minutos e tudo estará acabado.”

Ficou claro pra mim o que ele faria. Mas eu duvidei. Achava que em algum lugar dentro daquele homem de mármore, ex-presidiário, ainda havia o frouxo de antigamente.

Já começava a me preocupar em alguém me ver em frente à casa da garota, quando Armando vem andando rapidamente em direção ao carro.

_E então?

_Está feito. Foi mais fácil do que eu imaginava.

_Duvido que tenha conseguido, franguinho.

O sorriso de escárnio e ele mostra a mangueira do botijão de gás que ele havia retirado antes de sair. “Pisa fundo.”

Com o susto, saí cantando os pneus.

Ainda conseguimos ouvir a explosão, antes de virar a esquina e termos um acesso de riso.

Liguei o rádio na nossa frequência favorita. Sempre fui leal aos amigos.

7 pensamentos sobre “Amigos para siempre…

    • Oulha!!! Agradeço por ter se manifestado, moço!

      Bem, por enquanto os microcontos vão continuar saindo só de sexta-feira, por conta da disponibilidade do Wellington. Desenhar é beeem mais demorado que escrever, né?

      Ainda assim fico feliz com sua exigência. Mostra que estamos agradando de verdade hehehe =P

      Comente mais vezes!

  1. Seus contos continuam ótimos como sempre, a vezes peco por deixar alguns passarem, mas me redimo lendo todos sem pausa. Btw amizade verdadeira é assim mesmo, talvez com menos explosões hehe

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