Dos assentos reservados

Os assentos reservados são fontes de muita discórdia.

Eu particularmente, nunca me importei em ceder meu lugar reservado, ou não, para quem precisa sentar mais do que eu [Tá, mentira. Quando estou com sono eu me importo um pouquinho.]

Acontece que as pessoas que “precisam sentar mais do que eu” nem sempre trazem a necessidade escrita na testa. Por isso, eu sempre me ferro ao oferecer o lugar a uma suposta grávida, ou a alguém que eu julgo idoso e acabo sendo fulminada por olhares indignados.

Daí que, como não podia ser diferente, tenho várias histórias de assentos reservados para contar.

Uma delas, foi quando eu estava no trem – já lotado – e entra um casal que para na minha frente. Eu não estava em assento reservado. Mas noto que o homem me encara insistentemente, enquanto sua mulher se segura abraçada nele, de costas para mim. Eu já ia perguntar qualéqueera a dele, quando a mulher vira de frente e eu sou supreendida por uma barriga IMENSA. Ela era tão magra, que de costas ninguém dizia que ela tava grávida. Super constrangida, ofereci o meu lugar e pedi desculpas.

Doutra feita, eu estava no ônibus sentada naqueles banquinhos “abríveis” que ficam ao lado do espaço reservado para cadeira de rodas. Uma senhora idosa entra pela porta de trás e eu levanto oferecendo meu lugar. E ela devolve: “Esse é aquele com assento que fecha? Não, obrigada! Prefiro ficar de pé.” E eu preferia ter ficado na minha.

Também teve a vez que eu sentei no assento reservado só porque ele ficava ao lado da porta. Neste dia eu tinha ficado acordada até às 3h da manhã fazendo o TCC e acordado às 5h para ir à uma reunião onde trabalho. Então dá pra imaginar que tudo o que eu queria era um lugar para recostar a cabeça e dormir durante as duas horas de viagem da Luz até a minha estação. Aí uma moça sentou ao meu lado. Tudo bem, haviam diversos lugares vagos no vagão. Só que entrou um senhor que não tinha uma perna. Ele ficou parado ao nosso lado, nos encarando. A moça prestativa, aponta para um lugar vago AO LADO do nosso: “Moço tem um lugar ali, ó!” E ele: “Não. Muito obrigado. Ali não é o lugar pra mim.” Óqueeei.

Mas a melhor história foi no metrô. Para pegar a linha verde, eu prefiro ir até a estação Ana Rosa, pois a Paraíso lota demais. Numa dessas vezes, entrei no metrô e sentei. Em assento NÃO reservado. Um rapaz sentou ao meu lado e uma mulher sentou no assento reservado à minha frente. Quando chegamos à estação Paraíso, entrou a maior galera no vagão trazendo uma senhora idosa. Vendo que a mulher no assento reservado fez pouco da velhinha, eu me levantei e ofereci meu lugar. Nisso, um cara que estava em pé começa, se referindo ao rapaz ao meu lado: “Não moça! Pode deixar que o cavalheiro dá o lugar dele, não é amigo? Cavalheiros educados não precisam ficar sentados!” O rapaz virou um pimentão, soltou um sorrisinho amarelo e quando ele se levantou, o vagão inteiro aplaudiu.

Por essas e outras que a relação passageiro/assento reservado nunca deixa de ser mais uma aventura no dia-a-dia. E um pouquinho de educação sempre nos deixa com aquela emoção de escoteiro que fez sua boa ação do dia [e um cansaçozinho a mais nas pernas, mas e daí?]

7 pensamentos sobre “Dos assentos reservados

  1. Ontem tive uma história assim.

    50 bancos normais vazios. 2 bancos de uso preferencial ocupados por um jovem casal. Entra uma senhora de cabelo “rosa algodão doce” com sua bengalinha e fica de pé em frente ao casal, carregando um saco vermelho gigantesco (mamãe noel???). Eu, simpatico como [não é muito meu] costume, segurei o bendito saco para que a senhora se sentasse ao meu lado. Ela me encara e fala em voz alta “acho que eles não sabem ler”. Armo aquele sorrisão amarelo e finjo que eu além de não saber ler, não entendo uma palavra em português.

    Ela foi sentada ao meu lado o resto do caminho, o casal saltou duas estações depois, e a senhora com o saco cheio de razão não pulou para seu tão querido assento.

    Acho que ela esqueceu a educação no trenó.

  2. Eu sempre procuro ceder meu lugar quando percebo que alguém tem qualquer necessidade, mas estranhamente a maioria agradece e diz que prefere ficar de pé, mesmo se eu insistir. Só que aí não consigo seguir a viagem sentado e desencanado ao mesmo tempo. Fica a sensação de estar fazendo algo errado.

  3. nesses assentos reservados se a pessoa sadia ce recusar de dar lugar a um idoso gestante pessoas com deficiencia e mulheres com crianca de colo os motorista cobradores passageiros e policiais não podem fazer nada ou seja tirar a pessoa do lugar que esta por não tem altonomia para isso

    • Você esta equivocado amigo , os assentos reservados são garantidos por lei estadual , e a pessoa que estiver sentada não tiver necessidades especiais , ou se encaixar nas caracteristicas do assento , ela estara cometendo um crime perante a lei .

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