Cida prefere vermelho.
João adora cães. Cuida de oito.
Marluci odeia o frio.
Antônio é poeta. Continuar lendo
Cida prefere vermelho.
João adora cães. Cuida de oito.
Marluci odeia o frio.
Antônio é poeta. Continuar lendo
Sei lá, ela só estava ali sentada no banco do ônibus, do lado da janela, sem grandes expectativas a respeito daquele fim de tarde. Nada demais. Coisa básica, normal.
Só que, entre uma curva e um farol fechado, quatro caras deram sinal para o ônibus e assim que ele deu partida anunciaram o assalto.
Enquanto um deles segurava uma arma nas costas do motorista, com instruções claras sobre agir normalmente e não parar o ônibus antes do próximo ponto, o segundo pulou a catraca para tirar tudo o que houvesse de valor dos passageiros e o terceiro fazia “a limpa” na caixa do cobrador.
Assim como os demais usuários de transporte público ali presentes, ela entregou a carteira, celular e relógio sem levantar o rosto e já estava achando que tudo ia ficar bem quando o bandido pediu sua aliança de noivado. Aí não aguentou mais, começou a chorar e entregou a aliança.
Encolheu-se na sua janela, soluçante e lacrimosa, querendo que tudo passasse bem rápido, quando o quarto rapaz, que estava na parte da frente do ônibus, percorreu o veículo, como se estivesse inspecionando o serviço dos comparsas.
Pelo jeito ele era o chefe de todos e, ela encolheu-se ainda mais, parou exatamente ao lado dela. Sentindo a boca do estômago se contrair, ela não conseguia forças para erguer os olhos, quando tomou o maior susto da sua vida: Continuar lendo
ele apenas passou a mão na sua jaqueta preta já surrada pelo tempo e caminhou em direção a porta. Estava tão pensativo que deixou a porta entreaberta com os seus trincos todos desprezados. Não era comum. Ele morava em_Padre, eu pequei.
_Arrependa-se, filho. E teus pecados serão perdoados.
Silêncio do lado de fora do confessionário. O padre passa o indicador por dentro do colarinho apertado. O calor é sufocante, dentro da cabina.
_Eu amo minha irmã, padre.
_Devemos todos amar aos nossos familiares. Não há pecado nisto. Exceto em caso de incesto. É o seu caso?
_Não, padre. Não é incesto. Mas eu jurei protegê-la de tudo, custe o que custar.
_Atitude louvável, filho. Você como filho, abaixo de seu pai é o homem da casa e é sua responsabilidade proteger sua mãe e sua irmã. Continuar lendo
Estacionei o carro em frente ao local combinado e desliguei o motor do carro.
Ele havia me dito: “Esteja aqui em 15 minutos.” Cheguei pontualmente, mas ele ainda não estava me esperando.
Eu, particularmente, duvidava de que ele fosse realmente cumprir o que tinha me dito. Eu ainda tendia a acreditar que o velho Armando, meu amigo de infância, era o mesmo.
O mesmo cara que eu conheci no intervalo da quinta série. Eu um valentão. Ele um cara solitário. Gostava de implicar com ele, mas nunca o agredi fisicamente. No fundo, sabia que ele era gente boa. Continuar lendo
Sete da noite. Hora que os trabalhadores cansados estão voltando para suas casas e se tornam um pouco mais distraídos que o normal. Era a hora que ele saía para trabalhar.
Vestiu-se com uma roupa comum, com cores que não chamassem a atenção e, mentalmente, escolheu uma rua movimentada. Sua profissão exigia discrição.
Ao chegar a tal rua, começou a andar de maneira despretensiosa. Camuflou-se perfeitamente ao enxame de pessoas que invadiam os numerosos bares. Localizou sua vítima: uma mulher se afasta do burburinho para falar ao celular. Ela anda de um lado para o outro, olhando para o chão, parando por alguns segundos e recomeçando os passos em seguida. Uma das mãos segura o aparelho. A outra tampa o ouvido esquerdo. Continuar lendo
_Antes de morrer, meu filho fez seguro de vida – disse a mãe de Júlio ao jornalista. – Pra mim e pro meu caçula, quando ele for de maior.
Antes de morrer, Júlio também se envolveu em uma briga no bar com Walter, traficante e morador do bairro classe média, quando Walter lhe disse para não se meter onde não era chamado, ou iria tocar onde mais doeria em Júlio. A briga foi apartada, mas as juras de vingança partiram de ambos os oponentes. Continuar lendo
Voltou a si e a primeira coisa que pensou foi: “Há quanto tempo?”
Tentava se mover, mas a dor era imensa. Resolveu esperar a tontura passar.
Escorregou a palma da mão no chão, onde estava caída. Sujou-a com o próprio sangue que havia respingado ali.
O silêncio da casa só era interrompido pelos roncos que vinham do sofá.
“Preciso fazer o café, antes que ele acorde.”
Concentrou a pouca força nos braços e conseguiu erguer o tronco. Mais um bom tempo usando roupas compridas para esconder os hematomas. Estava fazendo muito calor, ultimamente. Mas era melhor do que ficar respondendo às perguntas indiscretas. Continuar lendo