Memórias de 2010

Então encerramos mais um ciclo.
E acredito que a partir do momento em que o ser humano teve consciência da sua consciência, conscientemente ou não, acaba parando para repensar todos os seus atos, conquistas, tentativas e erros. Da mesma forma que, assim que começou a marcar o tempo de sua existência, deixou esse exercício mental para o encerramento dos ciclos.
Voltas e mais voltas para introduzir o que chamamos de retrospectiva.
Estes ciclos que eu estou encerrando [plural pois, além do final do ano geral, em breve eu também completarei outro ano da minha existência] foram de acontecimentos ímpares. Foi o ano em que me formei. O ano em que tentei diversas vezes e diversas coisas. E não conquistei nenhuma delas. Mas foi o ano em que mais descobri coisas e que aquela pessoa que existia dentro de mim, sufocada por pequenos e grandes medos, cresceu, apareceu, tomou forma e se impôs como quem eu realmente sou. Continuar lendo

Fogos de final de ano

O soldado acordou com um facho ensolarado brilhando em seus olhos.

Esfregou o rosto com as mãos e o gesto lhe fez sentir o ferimento nas costelas.

Não reconheceu as paredes que o cercavam, mas lembrou-se vagamente de ser ferido e abandonado pelos companheiros.

Tentou mover as pernas e não conseguiu. Tentou chamar alguém, mas a voz falhou. O esforço o esgotou e tudo se apagou novamente. Continuar lendo