Cida prefere vermelho.
João adora cães. Cuida de oito.
Marluci odeia o frio.
Antônio é poeta.
José não sabe ler.
Janilson perdeu o pai quando ainda era adolescente.
Roberval era pedreiro.
Maria tem pesadelos todas as noites.
Clécio é esquizofrênico.
Janice já foi violentada.
Gilmar também.
Hudson tem dor de dentes há anos.
Elba sente falta do sabor do sorvete de creme, que tomava na sorveteria perto da casa da avó.
Manoel nem se lembra de como é a sensação de um banho quente.
Miguel perdeu o saxofone e a dignidade.
Denílson vai morrer de cirrose.
Catarina nunca ficou sóbria.
Baltazar não tem uma perna.
Vandersson não ganhou muita esmola hoje.
Jeane gosta do pôr-do-sol.
Lucélia e Marinalva dividem o mesmo cobertor.
Para mim é o metrô Santana. Para eles é um abrigo para passar a noite em segurança.




Depois de esperar o que me pareceu uma eternidade, com meu bebê pesando cada vez mais em meu colo, finalmente o meu ônibus chegou. Lotado. Não que eu realmente me importasse com a quantidade de pessoas no ônibus, já que haviam assentos reservados para quem tem crianças de colo.