Coisas boas da semana

Hoje é dia de links e eu estou aqui, postando, com uma dor de cabeça e enjôo suficientes para mais 4 pessoas. Não, não estou grávida. Sim, eu sei que postei um conto sobre gravidez. Não, não era pessoal.

Acho muito engraçado quando acham que meus posts são pessoais. Eu escrevo contos, gente. Não um diário. Isso significa que é tudo ficção. Histórias que surgiram na minha cabeça através de alguma coisa que observei por aí. A parte mais legal é que, quando eu quiser desabafar e colocar alguma coisa realmente pessoal, ninguém vai saber. (Mentira. Criei uma tag para os posts pessoais. É só vocês procurarem os posts com essa tag que vocês já vão saber quais deles realmente aconteceram comigo.)

E embora pareça que eu esteja revoltada, não estou não. É só a enxaqueca falando mais alto, tá? Desejem-me melhoras para que o enunciado da semana que vem volte a ser fofinho como os outros.

Beijo.

Brigada eu.

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Entre Todas as Coisas (Daniel Bovolento) – Se você não me quiser (crônica)

Mentirinhas (Fabio Coala) – Tão parecidos (HQ)

Os Levados da Breca (Wesley Samp) – Bem apropriado (tirinha)

Os Proféticos (Rafael Marçal) – Dia das mães (tirinha- Sim, eu sei que tá atrasado. Mas é que ficou tão bonitinho!)

Os Proféticos (Rafael Marçal) – Mentiras que as mulheres (não todas) contam (tirinha. Colquei esse pra compensar o anterior e pq o Rafael se inspirou na minha imagem pra desenhar a personagem. Só que com mais peitos. E mais fútil.)

Hqrizando (Cleber Betto) – Apresentando amigo imaginário (tirinha)

Trivialidades da Vida (Fernanda Mota) – Trânsito (conto)

Bichinhos de Jardim (Clara Gomes) – Super Poderes (tirinha)

Casa da Gabi (Gabi Bianco) – Ladeira abaixo (crônica)

Milf WTF (Natasha – Luta que pariu (crônica)

Auto controle

to-do-listTudo começou quando ela percebeu que precisava esquematizar suas tarefas, ou tudo fugiria do seu controle. Se ela não fizesse tudo exatamente do mesmo jeito, todos os dias, certamente esqueceria de fazer algo. E se qualquer elemento novo entrasse no meio da sua rotina, era certeza de que todo o resto se desregularia. Para que isso não acontecesse, ela criou diversos sistemas e listas, que ela repetia diariamente.

Todos os dias ela acordava com o despertador e aproveitava os dez minutos de preguiça para conferir as redes sociais pelo celular. Depois se levantava, escolhia a roupa que usaria naquele dia e arrumava a cama. Em seguida ia ao banheiro escovar os dentes e fazer o xixizinho matinal, voltava ao quarto para se vestir, fazia a maquiagem, ajeitava a bolsa, alimentava os peixes e ia para a cozinha.

Nunca tomava café antes de fazer a marmita e sempre deixava as chaves e a carteira ao lado do celular sobre a mesinha de centro, pois já precisara voltar vezes o suficiente porque havia esquecido um dos três. Continuar lendo

Carta ao Gari da Estação:

gari20 de outubro de 2010:

Olá, senhor lixeir gari da estação!

Já faz alguns anos que eu desço todos os dias sempre no mesmo ponto, no mesmo horário. É a hora que estou indo para a escola. O tempo varia: às vezes está um puta sol já bem quente, em plena manhã. No outono o sol é gelado, nesse horário. Já no inverno é MUITO frio. E tem dias que está chovendo bastante, pouco ou garoando.

Não importa o tempo, o senhor está lá, varrendo o lixo que nós jogamos. Me incluí nisso, porque eu mesma já joguei lixo no chão várias vezes. Agora não mais.

Porque passando todos os dias no mesmo lugar, no mesmo horário e vendo-o realizar o seu trabalho que não deveria ser tão árduo, se fôssemos um pouco menos porcalhões mais educados, me fez repensar se eu não estava sendo um tantinho egoísta. Continuar lendo

Passageiros

1249_1Essa é a história de um atendente de guichê de ônibus. Pode parecer um personagem desinteressante, aquele carinha por quem você passa e só diz para onde vai, estende o dinheiro, pega a passagem, o troco e vai embora, sem nem precisar cumprimentar, ou agradecer pelo serviço prestado.

Mas acontece que a vida é engraçada e quando ele deu por si, estava atendente de guichê de ônibus. O salário era o suficiente para ajudar em casa e até para se casar com a namorada, quando ela também começasse a trabalhar. Os companheiros de trabalho não eram tão animados e satisfeitos em atender pessoas apressadas e vender passagens, mas ele não ligava, porque encontrou no seu trabalho uma oportunidade de realizar o seu sonho.

Explico. Continuar lendo

Leia-me: O Vampiro de Curitiba

1016081-250x250A minha relação com esse livro sempre foi estranha, nos mais variados aspectos.

A primeira delas: eu nunca tinha ouvido falar de Dalton Trevisan, até fazer um teste por brincadeira, para saber qual livro tinha mais a ver comigo e o resultado deu justamente O Vampiro de Curitiba, o que eu achei bastante peculiar.

Alguns anos depois encontrei-o em uma livraria e resolvi levá-lo. Para minha surpresa era muito fino e foi lido em menos de uma tarde.

E “estranho” continua sendo a palavra para definí-lo. Dalton é cruel, violento e impiedoso. Mas não pensem vocês que se trata de um livro sobre monstros ou de violência sanguinolenta e física. Continuar lendo

O vendedor de pipocas

carrinho+de+pipoca+cod+05+suzano+sp+brasil__21400C_1Realmente a graça da vida parecia estar nas pequenas coisas. Foi o que ela pensou naquele dia em que saiu um pouco mais cedo do trabalho. A felicidade não estava no fato de ter saído mais cedo, ou de ter conseguido cumprir todas as tarefas que pretendia, no centro da cidade.

Mas sim por ter conseguido fazer algo que não fazia desde os tempos da faculdade: caminhar pela cidade à noite, comendo uma coxinha de boteco, daquelas meio murchas e já quase frias.

Não que a cidade fosse das mais bonitas, muito menos que ela gostasse de coxinha murcha e quase fria. Ela só queria matar a saudade e curtir um pouco aquela nostalgia toda, agora que estava em um bom momento da sua vida. Continuar lendo

A estranha

windowPela primeira vez em toda a sua vida, encarou a garota que estava à sua frente e ouviu o que tinha a dizer.

Agora que prestava a devida atenção, receava que aqueles fossem os olhos mais vazios que já vira.

Enquanto a garota falava e falava, ela se perguntava por que nunca havia parado para ouví-la. Questionava como era possível alguém ter tantas cicatrizes acumuladas e simplesmente cuidar delas sozinha e em silêncio por tanto tempo.

Queria dizer-lhe para correr atrás dos seus sonhos. Queria lhe dizer que nunca era tarde para recomeçar.

Queria que ela compreendesse que a causa daquele vazio não era culpa dela, mas cabia somente a ela as mudanças que fariam sua vida finalmente funcionar.

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O ponto

alone-calle-chica-choices-chuva-city-Favim.com-38973No meio do caminho para o ponto de ônibus a chuva começou a cair.

Tudo nessas horas é relativo. A metade do caminho pode ser muito longe se o caminho todo tem coisa de dois quilômetros e também pode ser bem perto, caso o ponto de ônibus fique a menos de cinquenta metros do ponto de partida. Ainda assim, a distância a ser percorrida é relativamente proporcional à intensidade da chuva, seja essa distância dois quilômetros ou dois metros.

No meu caso foram dez metros que bastaram para que eu me abrigasse já ensopada sob o telhado do ponto.

Sob ele também se escondia um rapaz, de boné e regata vermelhos. Ele trazia um carrinho daqueles de sacoleira, onde se encaixa na parte metálica bolsas, caixas e outras coisas ruins de carregar e se prende tudo com uma corda elástica, que tem dois ganchos, um em cada ponta. O carrinho trazia umas três caixas, já todas deformadas pela tensão do elástico e, provavelmente, por uma viagem longa. Continuar lendo

Remendado

letitgoAcordou com uma tristeza que não era natural dela.

Ainda deitada, tentou se lembrar do que sonhou. Não lembrou. Mas pelo vazio inconveniente que sentia, o sonho era mesmo o causador da melancolia.

Resolveu que não adiantava ficar se lamentando, espreguiçou e levou o vazio para fora da cama, alongando os membros.

Enquanto escovava os dentes se lembrou do dia em que encontrou o ex-namorado pela última vez. Eles ainda não sabiam que aquela seria a última vez que se veriam mas, depois do amor, repentinamente ela sentiu vontade de chorar. Não havia motivos para isso e nunca havia acontecido antes. Para que ele não percebesse seus olhos cheios de lágrimas o abraçou, até que conseguisse se controlar. Agora sabia que esse acontecimento, aparentemente inexplicável, fora sua intuição avisando-a de que tudo iria terminar. Continuar lendo

O cheiro

O perfume não era ruim. Era agradável. Mas havia algo nele que a confundia.

Não era um bom momento para ficar confusa. Podia ouvir a multidão gritando seu nome, em algum lugar por trás daquela cortina de luzes. Só conseguia enxergar até o fim do palco. Além dos holofotes, tudo era um vazio cheio de vozes.

Em cima do palco os fogos de artifício explodiam, para a entrada triunfal, e a fumaça cobria os seus pés, fazendo parecer que pisava em nuvens. Foi bem essa a sensação que teve, quando entrou: como se estivesse flutuando, alheia. Bem longe dali. Continuar lendo