A caixa de óculos

_Você precisa trocar sua caixinha do óculos.
Sorri discretamente e alisei a embalagem de acrílico, já trincada e cheia de riscos. Na tampa, um adesivo do Bob Esponja meio gasto pelo atrito com os outros objetos que infestam a bolsa feminina.
_Troco os óculos, mas não troco a caixa.
A maioria não entende todo esse apego, mas a questão não é a caixa. É o adesivo. Há tanto tempo colado, que se despedaçaria à menor tentativa de descolá-lo.
Nele, o Bob Esponja saltita, com os braços carregados de corações e espalha-os pelo caminho em que passa.
No dia em que meu amigo me deu aquele adesivo, estávamos ambos sentados lado a lado na sala de aula, no primeiro semestre da faculdade e eu ria de seu caderno do Bob Esponja.
_E esse caderno de quinta série, heim?
_O Bob é o melhor, cara! Você também gosta dele?
Eu ria do rapaz moreno e tatuado. Seus braços e peito eram cobertos por desenhos coloridos, até o pescoço. Nos lóbulos ele trazia grandes alargadores.
_Gosto. Minha irmãzinha coleciona DVD’s com os episódios. Eu assisto junto com ela e me mijo de rir.
_É genial. Tó. Escolhe um adesivo.
_Qualquer um?
_Qualquer um. Não! Pega esse aqui, dos corações. É mais a sua cara. Todo fofinho.
Peguei o adesivo e colei na caixa de óculos. Continue lendo