Um amor de verdade

Eu sempre fui a garota dos clichês.

Aquela que sempre acreditou que um clichê tem mais do que o óbvio a nos dizer. Sempre acreditei que um clichê dito é apenas isso, algo que todo mundo já sabe. Mas um clichê vivido deixa de ser apenas uma frase feita, para ganhar uma nova essência, dessa vez unido à experiência. À sua pessoal e íntima experiência.

E embora, quando escrevo, eu busque fugir dos lugares comuns tudo o que sempre quis na vida foi viver um clichê. Não canso de repetir que a felicidade está na simplicidade, na busca e não no fim. Seres humanos nunca deixam de querer. Sempre estão em busca, ambicionando, desejando. E não percebem que a felicidade é justamente esta: lutar, correr atrás, querer, trabalhar. A conquista é o êxtase, mas é passageira. Não traz felicidade. E é por isso que eu nunca quis apenas um amor, mas um parceiro de viagem.

Um parceiro de viagem não pode ser qualquer um.

Tem que ser aquela pessoa com quem você adora conversar, para que as horas passem rápido, enquanto você espera o ônibus chegar. Tem que ser alguém que você respeita e sabe que terá o mesmo em troca, pois uma viagem a dois exige confiança mútua. E como passarão muito tempo juntos, tem que ser alguém que você sente muita falta quando está longe e que, quando está perto, tem certeza de que é exatamente ali que você quer estar.

Também tem que ser alguém a quem você apresentaria aos seus pais. Pais são muito bons na profissão de se preocupar com você e não sossegariam ao saber que você está partindo ao lado de alguém que eles não aprovam. Tem que ser alguém que irá segurar sua mão, na hora em que sentir vertigens a beira de um precipício. E tem que ser alguém com quem você sentirá vertigens somente por segurar-lhe a mão.

Tem que ser alguém que tenha mais vontade de ser feliz, do que de ter razão, ou a convivência será insuportável. E é muito importante que seja alguém que te faça rir, ou não aguentarão o tédio.

Tem que ser alguém que existe não só para você, mas para todos os outros. Alguém que não tenha vergonha de dizer que está com você, que faça questão de deixar claro ao mundo de que vocês estão juntos. E tem que ser alguém que te traga segurança e tranquilidade, mesmo no momento em que não tiver ao alcance de seus olhos.

Não pode ser alguém que desista fácil. Viagens podem ser divertidas e animadas no início, mas os obstáculos surgem. E se em algum momento parecer que não vale a pena se esforçar, você não vai precisar de alguém que comece, mas sim, de alguém que continue ao seu lado.

Foi no momento em que eu desistia de encontrar tal pessoa, quando já acreditava que estar comigo nunca seria motivo suficiente para alguém querer estar comigo, que o meu clichê chegou.

No começo foi tão clichê, que achei que seria mais um lugar comum, assim como os outros. Mais um cara com conversa mole, tempo livre e criatividade para elogiar minhas qualidades. Mais um cara que ia chegar na minha vida, bagunçar ela um pouquinho com um frio na barriga aqui, um “você é perfeita” ali e depois me deixaria sozinha com meus cacos e caminho.

Mas ele cerrou os olhos no primeiro cafuné que fiz em seu cabelo. Disse que meu beijo o acalmava. Me sentou em seu colo com um medo enorme de me perder e ali me fez perceber que eu nunca sentiria a necessidade de fingir para impressioná-lo.

Ali mesmo eu pressenti que, dessa vez, não teria medo de viajar ao seu lado. Adoraria escalar montanhas junto dele, sabendo que no topo a conquista seria nossa e não uma discussão para descobrir quem foi o vencedor. Também senti que ele faria tudo por mim.

O mesmo tudo que eu faria para estar ao lado dele.

E agora que decidimos caminhar lado a lado, já conseguimos até vislumbrar algo parecido com um futuro.

Enquanto o futuro não chega, vamos admirando a felicidade na paisagem.

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7 thoughts on “Um amor de verdade

  1. Lindo texto! O amo ré tão simples quanto pode ser! Sinto uma dorzinha no peito de que algumas vezes, por ser tão simples, passa sem perceber. Nunca entendi por que dão valor a tudo que é muito difícil, a tudo que é muito doloroso, aquela pessoa que machuca é o motivo de obsessão. Adorei seu ponto de vista! E adorei seus textos! Vou visitar seu blog muitas vezes! E eu não quero dar uma chato, comentando só pra colocar um link aqui. Mas eu faço quadrinhos sobre relacionamentos (um ponto de vista mais humorístico, mas nem sempre engraçado), acho que você poderia gostar, já que você diz adorar tirinhas!!
    http://ruimcomelas.com.br

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