Na hora de escolher a foto pro avatar de dia das crianças, comecei a rir sozinha ao lembrar de toda a história por trás
da foto da flor laranja e ela acabou se escolhendo sozinha. “É esta!”
Quando as professoras da educação infantil do Colégio Palmarino Calabrez começaram a organizar o Festival da Primavera de 93, separaram, em seus conceitos retrógrados e nada democráticos, as meninas em três categorias bem claras: as com altura acima da média seriam borboletas. As meninas de altura mediana seriam flores. E as que costumavam ocupar as quatro primeiras posições pra fila do recreio seriam joaninhas.
Adivinha em qual categoria eu fiquei? Pois é.
Mãs, revolucionária e agitadora como sempre, eu reinvidiquei meus direitos de vestir a fantasia que me apetecesse, o que não teve nada a ver com o fato de todos os collans pretos size PPP da cidade terem desaparecido e minha mãe só ter encontrado um collan verde no meu tamanho. Fiquei sendo flor.
Foi um mês de ensaio, com aquela musiquinha enjoada e coreografia tosca. Sem falar na historinha que a coreografia contava, totalmente coerente: um jardim era arrasado por uma tempestade terrível, mas na manhã seguinte os jardineiros vinham, regavam as flores e elas despertavam, melhores que nunca. Sim, REGAVAM. Pausa para reflexão.
Enfim, até o dia da apresentação, minha maior preocupação foi com o fato de que o menino que eu gostava ia ser jardineiro justo da flor que eu mais odiava naquele jardim de infância. Até tentei persuadí-lo a me regar, mas não fui páreo aos olhos verdes e indefesos da megera.
Mas foi no grande dia, que esse se revelou ser o menor dos meus problemas. Eu era a única flor laranja da coreografia. E enquanto eu girava alegremente nas voltas do carrossel alugado no pátio, um molequinho pergunta para o seu irmão mais velho:
“Olha, Ubaldo. Uma… o que ela é?”
COMO ASSIM, PIVETE? Não era óbvio que eu era uma…
“Ela é o sol, Quinzinho.”
Até hoje os meus pais comentam o olhar fulminante que eu lancei pros meninos, que os fez desistir de acenar para a delicada filhinha a bordo do carrossel.
Resumo: eu era a única baixinha-flor da turma e ninguém sacou, a frágil donzela dos olhos verdes roubou meu jardineiro, tive que dançar uma coreografia sem nenhum nexo e fui confundida com o sol.
Tá explicada minha cara de psicopata?
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Ótima história dessa foto, Deka! Esse jardineiro deve se arrepender até hoje de não ter regado essa florzinha(inha) laranja! RSRS
Here comes the sun tudududu… Quero dizer, apareceu a margarida, olê olê olá…
Tem medo de morrer não?
with lasers total !
Repare nos dedos crispados!!
HA hA ha muito legal sua roupa de florzinha, vc estava com cara de brava, ver fotos da infacia da muita saudade né!
tá explicado. e nao falo mais nada, pq tenho medo de morrer…
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Morri! HAHAHAHA fofa demais. PUTAQUEOPARIU! (L)
Nem sei como vim parar aqui… Algum twitte da vida, provavelmente. Adorei seus textos, estou lendo alguns, mas esse aqui é uma pérola, ou melhor, um sol, ops, uma flor!!!
Obrigada, você conseguiu me fazer rir (relativamente alto) em um dia péssimo e de algumas lágrimas.
Ah! Com certeza a megera de olhos verdes hoje deve estar gorda e sem ninguém p/ regá-la! rsrsrs
Não precisa agradecer, moça! Eu que agradeço pelo comentário.
Eles estão aí justamente para serem lidos! ^^